sábado, 21 de setembro de 2013

GEORGE WASHINGTON,O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E A EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

George Washington


Como morreu George Washington? 

O site Morte na História faz um relato bem compreensivo, que tomei a liberdade de transcrever (http://mortenahistoria.blogspot.com.br/2012/02/morte-de-george-washinghton.html)


"MORTE: 14 de dezembro de 1799 - Virgínia, EUA.
CAUSA DA MORTE: Insuficiência sanguínea (erro médico)
OBS: Depois de deixar a presidência em 1797, Washington foi viver em sua residência em Mount Vernon. Ali foi ajudar um vizinho cuja carruagem caiu numa valeta durante uma tempestade. Washington teve dor de garganta e, quando ela se agravou, convocou seus médicos pessoais. Na época, os médicos acreditavam que a doença era fruto de um desequilíbrio dos quatro fluidos vitais, conhecidos como humores, e que a drenagem de uma quantidade importante de sangue do paciente faria o organismo voltar ao estado normal e saudável. Os médicos dele drenaram meio litro de sangue e o fizeram tomar um preparado de melado, vinagre e manteiga derretida. Indiferentes a seus protestos, repetiram o tratamento três vezes. Isso matou George Washington, mas no atestado de óbito ficou registrado como Pneumonia."



Eu fiquei aqui imaginando o que aconteceria se um médico do presente viajasse no tempo e tentasse discutir com a equipe que tratava George Washington.

- Amigos, vim do futuro. A teoria dos humores é falha.

- Que espécie de louco você é? A teoria do humores é a mais clássica da medicina. Foi desenvolvida por Galeno e Hipócrates, e continua sólida há milhares de anos. 

- No meu tempo provou-se a existência de bactérias, seres que não são vistos a olho nu e que causam infecção, que é o que o que explica a doença do ex-presidente.

- Bichinhos que não são vistos? É a mesma ideia tonta de um holandês chamado Leewhoek, que foi ridicularizado pelos nossos colegas. Ele nunca tratou ninguém. Eu já tratei mais de quinhentos pacientes. Tenho vasta experiência!

- Mas vocês estão fazendo sangria no presidente. Isso vai enfraquecê-lo.

- Que espécie de médico você é?

- Há muita pesquisa no futuro mostrando que tratando desta forma há muitos óbitos e que tratando com antibióticos, muito provavelmente ele se recuperará.

O médico de George Washington começou a pensar

- Antibiótico? Não sei direito o que é isso, mas nenhum de meus colegas conhece. Vou consultar o doutor Smith.

Smith então iniciou o debate com o nosso médico do futuro.

- Seu idiota. Pare de diminuir a nossa credibilidade junto ao paciente. Você só está atrapalhando. Do futuro ou não, eu vou levar você ao conselho de medicina por ficar falando estas coisas absurdas. Você sabe quantas pessoas eu já tratei? Milhares!!!! Quem você pensa que é?

O médico ficou triste. George Washington, o grande herói da revolução americana ia morrer. E não adiantava explicar, porque não lhe seria permitido aplicar o antibiótico de última geração que trouxera do futuro. Ele lembrou-se do livro de H.G. Wells - Terra de cegos, no qual o personagem central não consegue mostrar a uma comunidade de cegos de nascença em uma ilha que existia a visão. Ele falharia na sua missão humanitária?

Talvez sim, mas um jovem médico ouviu a discussão e ficou curioso. Existiriam microorganismos? Haveria outra forma de explicar a doença? Estariam Hipócrates e Galeno equivocados?

Neste meio tempo, George Washington faleceu.



Moral da História: Não importa se você cometeu um erro mil vezes. Ele não se torna um acerto.




segunda-feira, 16 de setembro de 2013

DESCOBERTA CIENTÍFICA: ALÉM DA NOÇÃO DE MÉTODO

Pasteur não teve seus trabalhos sobre a fermentação aceitos pela comunidade científica, porque as teorias da época afirmavam que o processo era totalmente químico, e, portanto, não poderia ser biológico.


Ademir Xavier acaba de publicar, no seu grupo Ciência Espírita, sua tradução do texto de Bernard Barber, "A resistência dos cientistas à descoberta científica". Barber argumenta que elementos culturais e psicológicos influenciam a análise que os cientistas fazem de trabalhos inovadores. Este texto foi originalmente publicado prestigiosa revista Science. 

Este texto merece ser lido, porque Barber vai pacientemente mostrando autores, hoje considerados clássicos em ciências naturais, sofrendo a rejeição de seus trabalhos por colegas igualmente eminentes. Os trabalhos se tornariam no futuro referências para o avanço teórico de suas respectivas áreas.

Barber é considerado um dos fundadores da área do conhecimento denominada hoje como "sociologia do conhecimento".

Escrito em 1961, este texto continua importante para cientistas de todas as áreas porque exemplifica que a ideia de um método científico universal, base das decisões sobre a conformidade ou não dos trabalhos produzidos, é uma ilusão. Penso que ele enriquece ainda a ideia de Kuhn sobre a dinâmica da revolução científica, porque mostra rejeições imediatas a propostas bem fundamentadas e aceitas por gerações futuras. 

Quem desejar ler o belo trabalho de tradução do Dr. Ademir pode acessar o link https://drive.google.com/folderview?id=0BzdGM5lC6GhJeElsXzhXMTFELXM&usp=sharing

sábado, 7 de setembro de 2013

A TEORIA DA REGULAÇÃO E A PSICOLOGIA DO TRABALHO



Na nova edição de "Psicologia do trabalho e gestão de recursos humanos" da Casa do Psicólogo, organizado pela Dra. Iris Barbosa Goulart e por mim, tive a oportunidade de inserir um texto que considero importante e que estava perdido em anais de evento realizado há muitos anos.

No mestrado em administração, pude estudar a teoria econômica da regulação (Michel Aglietta e outros). Esta abordagem é ao mesmo tempo histórica, econômica e administrativa. Trata-se de um olhar sobre a economia tendo em vista organizações privilegiadas do trabalho, que se destacam em determinados momentos históricos, sem esquecer a atuação do Estado. 

Nosso trabalho à época tenta aproximar as diferentes propostas da psicologia industrial, organizacional e do trabalho às contribuições dos regulacionistas. Reinseridas em um contexto, as propostas deixam de ser apenas "best practices", ou técnicas moderna e compõem lógicas de competição econômica e de regulação da economia.

Este trabalho é muito útil para ser discutido em conjunto com o capítulo "A psicologia do trabalho em três faces" nos cursos de psicologia e administração.

O livro já está sendo comercializado pela Casa do Psicólogo e pode ser adquirido por R$68,00.