domingo, 1 de janeiro de 2012

MASLOW, A EXPERIÊNCIA E O MUNDO DO TRABALHO.



Maslow, em seu “The Farther Reaches of Human Nature” discorre sobre o papel da experiência na aprendizagem, especialmente para o que ele denomina “tornar-se uma pessoa melhor, em termos de auto-desenvolvimento e auto-preenchimento, ouem termos de tornar-se totalmente humano”.

Como experiências importantes, ele destaca “ter um filho”, “descobrir sua própria identidade, seu próprio self” através da psicanálise e “casar-se”. Ele considera “aprender a ser um ser humano”, como uma “educação intrínseca”.

Na medida em que ele vai destacando experiências pessoais como organizadoras, ele desconstrói o resultado da educação formal e instrucional para esta finalidade. Como decorar os doze pares de nervos cranianos, ou aprender trigonometria, memorizar vocabulário ou outro idioma, nos torna pessoas melhores? Isso não acontece. Ele afirma que o conhecimento associativo e obtido com memória ou recondicionamento (como aprender a dirigir) é importante e útil para uma sociedade tecnológica, mas não para aprender a viver.

Desenvolvendo mais seu pensamento, Maslow se questiona aonde um tipo de conhecimento fisicalista, baseado no modelo mecanicista, que se propõe neutro e livre de valores leva o ser humano? E responde: “A bombas atômicas. À bela tecnologia de extermínio, como os campos de concentração.”

Se pensarmos dessa forma, em termos do mundo do trabalho, sabemos que um conhecimento sem reflexão ética, sem visão de necessidades humanas, pode conduzir a uma forma de gestão predominantemente economicista, focalizada no produto, em resultados que não contemplam as necessidades das pessoas que trabalham, nem as pessoas que vivem em sociedade, muito menos o meio ambiente. Contudo, uma forma de pensar que focalize apenas as necessidades das pessoas que trabalham, as necessidades da sociedade e do meio ambiente, pode tornar as empresas, órgãos de estado e organizações de terceiro setor frágeis e incapazes de realizar aquilo a que se propuseram inicialmente. Como chegar ao caminho do meio? Este é um dos muitos dilemas e desafios de uma psicologia organizacional e do trabalho, e das as outras formas de conhecimento relativas ao mundo do trabalho.