quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE EM JUIZ DE FORA-MG

A Universidade Federal de Juiz de Fora, através do NUPES e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia estão promovendo o III Ciclo de Conferências Internacionais em Ciência e Espiritualidade, com participação gratuita aos interessados. Perdoem estar divulgando em cima da hora a primeira conferência. Excelente oportunidade para quem se interessa pelo tema.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

RPOT PUBLICA ARTIGO SOBRE QVT




Um artigo de revisão e uma reflexão das perspectivas e agenda futura de pesquisas em Qualidade de Vida no Trabalho no Brasil, foi o desafio proposto pela coordenação do Congresso Brasileiro de Psicologia Organizacional e do Trabalho para nós. Depois de um mês de muita identificação de trabalhos em bases de dados, leitura e reflexão, o trabalho ganhou corpo e público, que o discutiu de forma inteligente e competente no evento promovido pela SBPOT.

Algumas das ideias apontadas no trabalho são as seguintes:

- As publicações brasileiras baseiam-se em sua maioria em modelos internacionais de vinte ou trinta anos atrás, e não fazem revisões dos próprios autores que utilizam e que costumam atualizar suas teorias e dados.
- Nossas amostras são incrivelmente pequenas se comparadas às amostras de pesquisas internacionais, o que fragiliza a generalização de resultados.
- Após os diagnósticos, dificilmente se publicam estudos acompanhando as mudanças propostas para as organizações.
- Os autores brasileiros desenvolveram instrumentos de avaliação nacionais, mas não há interação entre eles, então estes instrumentos não são utilizados pelos colegas, o que dificulta um desenvolvimento desta área de conhecimento no Brasil.
- Não há interação entre QVT e Saúde Mental no Trabalho. As linhas de pesquisa produzem como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra.

Em resumo, falta empiria, falta domínio teórico e falta integração entre os grupos de pesquisa (que não se confunde com uniformidade).

Para não dizer que não falamos das flores, há alguns pontos positivos:

- Os autores costumam fazer uma pré-análise das organizações onde se farão os estudos, o que possibilita contextualizações.
- Nas mais diversas orientações, encontramos como temas centrais de QVT a motivação no trabalho, a satisfação com o trabalho, e a participação nas decisões de gestão.
- Já existem iniciativas de preparação de profissionais (de diversas formações) para trabalhar na área de QVT, como é o caso da especialização mantida pela FIA-USP, sob a coordenação da Profa. Ana Cristina Limongi França, e de cursos de QVT em graduações e pós-graduações.
- Há uma consciência nos grupos de pesquisa que QVT não é apenas um agrupamento de ações relacionadas ao bem-estar das pessoas nas organizações, embora esta ainda não seja a tônica das empresas e órgãos do serviço público.

Agora a Revista Psicologia Organizações e Trabalho (RPOT) já disponibilizou o número especial das conferências na base PEPSIC, e pode ser baixado em pdf, conjuntamente com os outros trabalhos do evento, por quem se interessar. Basta clicar no link abaixo e escrever jader dos reis sampaio na caixa de pesquisa por autor.

http://pepsic.bvsalud.org/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=article%5Edlibrary&index=AU&fmt=iso.pft&lang=p

sábado, 1 de setembro de 2012

ENTREVISTA NA TV ASSEMBLEIA SOBRE VOLUNTARIADO


O programa Panorama, da TV Assembleia de Minas Gerais, entrevistou a Laura Boaventura da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e a mim sobre o tema Voluntariado. Foi uma conversa informal mas muito rica, ilustrada por diversos exemplos pesquisados pela equipe do programa. Confiram!

São dois blocos de 15 minutos nos links abaixo.


http://www.almg.gov.br/acompanhe/tv_assembleia/videos/index.html?idVideo=713098&cat=89
http://www.almg.gov.br/acompanhe/tv_assembleia/videos/index.html?idVideo=713101&cat=89

quinta-feira, 28 de junho de 2012

CARLA COUTO DEFENDE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SOBRE WORKAHOLISM

Foto: Da esquerda para a direita, Dr. Maycoln, Ms. Carla Couto, Dr. Jáder e Dra. Zélia Kilimnik


"Estudos preliminares para a construção de uma escala de avaliação de workaholism baseada no modelo de Spence e Robbins para professores do ensino particular de Belo Horizonte e Região Metropolitana" é o título da dissertação de mestrado defendida hoje pela, agora mestre, Carla Pena Couto Ruas, pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais.

O trabalho envolveu o desenvolvimento de itens voltados à realidade do professor de ensino particular, a partir do modelo teórico defendido na literatura internacional pelas pesquisadoras Spence e Robbins. Um estudo com base no método em juízes verificou a adequação conceitual e a clareza dos itens do instrumento, que foram posteriormente aplicados em uma amostra de professores de BH e cidades ao derredor.

Foi feita uma revisão extensa de estudos técnicos publicados no exterior, principalmente, em função da escassez da literatura técnica nacional. Há diversos modelos e instrumentos concorrentes em países de língua inglesa, com alguns pontos convergentes. O instrumento que apresentou um maior número de resultados de estudos revistos por pares foi o de Spence e Robbins.

Evito neste momento a comunicação pública de resultados, que serão comentados posteriormente, após a publicação em revistas especializadas.

Parabéns Carla e muito obrigado aos membros da banca que contribuíram bastante com o trabalho e seus desdobramentos futuros.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O AUTOR DO BLOG VAI AO BRASIL DAS GERAIS FALAR DE DEPRESSÃO NO TRABALHO



A literatura especializada mostra uma relação entre pressão no trabalho, estresse e depressão. O trabalho de revisão de literatura de Manetti &Marziale (2007) identificou fatores e formas de prevenção da depressão no trabalho de enfermagem. A prevalência dos estudos foi em média de 28,78%! Os acadêmicos de enfermagem apresentaram 41% de prevalência...

Os dados da população, segundo os autores variam entre 5 e 10% A depressão pode ser um dos desfechos de uma organização do trabalho ("onde atua, trabalho em turnos, número de funcionários, reestruturações organizacionais, sobrecarga de trabalho, problemas na escala, conflito de interesses e insegurança no trabalho"). Todos esses fatores podem ser identificados como pressões no trabalho.

Sabe-se também que as mulheres estão mais propensas aos quadros de depressão que os homens, embora não haja uma explicação definitiva para o fenômeno. (Barlow & Durand, 2010), mas a diferença de  valores encontrados na pesquisa acima citada são muito significativos (37,4% de mulheres, contra 20% de homens.

Manetti & Marziale encontraram também fatores externos ao trabalho, a saber:
categoria profissional, categorias socio-demográficas (sexo, idade e renda familiar), ao apoio social (social support) e a características do trabalhador (personalidade, senso de coerência e estratégias utilizadas

A prevenção tem sido feita através de cinco tipos de programas:

1. Programas de atenção à saúde do trabalhador
2. Gerenciamento adequado do trabalho
3. Gerenciamento da depressão
4. Treinamento das chefias e supervisores
5. Promoção de clima de trabalho favorável

A negligência à prevenção tem diversos efeitos indesejados para a organização e o trabalhador. As pesquisadoras destacam:

1. Desgaste e tensão no ambiente de trabalho
2. Influência na saúde física e psíquica do trabalhador
3. Absenteísmo
4. Insatisfação no trabalho
5. Prejuízo na qualidade da assistência prestada
6. Rotatividade

Esta linha de estudos não nega os componentes biológicos da depressão, mas amplia significativamente sua compreensão, demanda dos gestores do trabalho ações de prevenção e mostra um nexo entre sofrimento psíquico, adoecimento e desempenho, que merece ser difundido em meio às organizações.

terça-feira, 8 de maio de 2012

FOLHA PUBLICA SOBRE MÁ CONDUTA CIENTÍFICA



A Folha de São Paulo publicou hoje sobre uma dissertação de mestrado com questionamentos sobre o uso de imagens não autorizadas de infravermelho. Aproveitando o tema, o jornalista descreve alguns recursos considerados pouco éticos para o incremento da produção e, por consequência, o acesso a recursos de fomento.

Achei curioso o conceito de produção salame, que não conhecia. Nos anos de trabalho, já encontrei trabalhos científicos de conclusão de curso que na verdade continham muito mais informação e análise teórica que o escopo de um artigo. Neste caso, não vejo problemas em publicar alguns artigos, posto que a questão central está no texto ser inédito. Parece que esta crítica se dirige a quem publica a mesma coisa, essencialmente, em duas revistas que se supõem publicar matérias inéditas.

A história da máfia da publicação parece-me um exagero em nossa área de conhecimento. Se o artigo tem baixa qualidade, não interessa quem cite, irá ser publicado em uma revista mal avaliada. Não creio que uma revista de alta qualidade necessite deste tipo de expediente. Os especialistas do tema identificam citações desnecessárias nos trabalhos, e se elas se estendem, o artigo não será recebido sem críticas pela comunidade científica.

A acusação de roubo de ideia faz-me lembrar o episódio envolvendo Charles Darwin e Alfred Russel Wallace. Os dois desenvolveram trabalhos semelhantes, com conclusões parecidíssimas, sem que um houvesse conversado com o outro. Isso levou Darwin a comunicar publicamente a teoria da evolução com base na seleção natural e atribuir aos dois os méritos da pesquisa. Até hoje se discute se Darwin (que tinha um volume muito maior de evidências colecionadas) teria ou não roubado a teoria de Wallace, coisa que o próprio Wallace não fez, porque entendia que a publicação em corroboração de um cientista como Darwin fortalecia conjuntamente suas teorias e não havia má fé, ou furto de informações da parte de um dos cientistas, o que seria realmente condenável.

É um alerta interessante o do jornalista, mas, descontextualizado, serve mais a uma caça às bruxas que a uma reflexão ética na produção científica. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

EDUCAÇÃO INCLUSIVA, COMPROMISSO E UM PROJETO INTELIGENTE


Recebi em primeira mão a divulgação do Projeto Diversa, realizado pelo Instituto Rodrigo Mendes em parceria com muitos atores sociais, dentre eles o Ministério de Educação.

Utilizando inteligência e sensibilidade, o projeto envolve diversas escolas que estão fazendo educação inclusiva. Eles vão até a escola e gravam sua experiência, para divulgar e multiplicar.

Gostei também do Observatório http://www.diversa.org.br/gestao-publica/ As secretarias municipais de educação enviam um plano de ações e o Diversa monitora sua realização. Alguns já estão bem avançados, enquanto muitas escolas não realizaram nada ainda. Você pode acompanhar as ações em um mapa do Brasil, que possibilita a escolha das escolas da sua região, e inclusive dá opções de ação voluntária para quem quer ser voluntário ou ator social de uma causa integradora e ética.

Fico mais orgulhoso em saber que um ex-aluno, hoje profissional de primeira linha, está por detrás desta iniciativa. Não há gratificação maior para um professor. Valeu, Augusto!

Passeiem pelo site http://www.diversa.org.br/

sexta-feira, 20 de abril de 2012

TRABALHO, DEPRESSÃO E O AUTOR DO BLOG NO BRASIL DAS GERAIS



No dia primeiro de maio, participarei do prestigiado programa Brasil das Gerais, na TV Minas Educativa e na internet. Ele é organizado pela bela e perceptiva Roberta Zampetti, há mais de quinze anos.

O tema do dia do trabalhador é "Trabalho e Depressão". Fomos quatro entrevistados, em um clima de diálogo franco. A produção do programa trouxe algumas matérias interessantes envolvendo peritos do INSS, trabalhadores com depressão, opinião pública sobre a depressão no trabalho e uma surpresa ao final do programa que não vou estragar!

A literatura aponta o estresse ocupacional ou laboral como antecedente da depressão no trabalho e a doença ou suicídio como consequentes se nenhuma medida for tomada por trabalhador e organização.

Há muitas coisas que podem ser feitas pela organização, e hoje, felizmente, o estresse está sendo considerado pelo INSS para fins de licença, o que leva muitos empresários a fazerem programas preventivos, que podem diminuir taxas de depressão. No caso dos trabalhadores de enfermagem, um estudo em Minas Gerais mostrou que 40% dos transtornos mentais diagnosticados estavam associados ao trabalho. A população em geral apresenta taxas entre 5 e 10% de pessoas com depressão, mas a população feminina com este transtorno pode chegar a 15%. Nos estudos com trabalhadores de enfermagem, a média de prevalência da depressão é de 28%!

As ações propostas para o combate à depressão são:

1. Programas de atenção à saúde do trabalhador (36%)
2. Gerenciamento adequado do trabalho (18%)
3. Gerenciamento da depressão (18%)
4. Treinamento de chefias e superiores (18%)
5. Promoção de clima de trabalho favorável (6%)

(Fonte: Manetti e Marziatti, 2007)

Se não puderem assistir diretamente na TV Minas, no dia primeiro às 19:00 horas, confiram no seguinte endereço: http://www.redeminas.tv/ ou nas redes sociais http://www.facebook.com/#!/brasildasgerais

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ROSA FISCHER EM BELO HORIZONTE - MG


Dra. Rosa Fischer

Rosa Maria Fischer é professora titular da FEA-USP. Tem uma trajetória extensa nas fronteiras entre a administração e as ciências sociais. Estudou cultura organizacional, trabalho infantil, terceiro setor e tem se notabilizado com os estudos sobre parcerias intersetoriais (estado, mercado e sociedade civil).

Um de seus livros mais conhecidos é "O Desafio da Colaboração", publicado pela editora Gente, que trata das parcerias. Ela publicou recentemente o livro "Effective Management of Social Enterprises: lessons from businesses and civil society organizations in Iberoamerica." em coautoria.

A profa. Rosa foi uma grande inspiração no curto período que estive na USP e creio que não teria feito minha tese sobre organização de terceiro setor se não tivesse tido contato com sua produção acadêmica e com os trabalhos do CEATS-USP, fundado e dirigido por ela.

O Programa de Pós-Graduação em Administração da PUCMINAS está promovendo a vinda da Dra. Rosa Fischer e convida a todos, com entrada franca, para a conferência que ela fará sobre "Debates das Ciências Administrativas no Brasil: um balanço crítico dos últimos 40 anos."

Data: 02/03/2012
Horário: 19:00 horas
Local: Sala multimeios, Prédio Redentoristas, Av. Itaú 525 - Dom Cabral
Aberta ao público em geral sem a necessidade de inscrição prévia.
Informações: 31 3319-4957


domingo, 1 de janeiro de 2012

MASLOW, A EXPERIÊNCIA E O MUNDO DO TRABALHO.



Maslow, em seu “The Farther Reaches of Human Nature” discorre sobre o papel da experiência na aprendizagem, especialmente para o que ele denomina “tornar-se uma pessoa melhor, em termos de auto-desenvolvimento e auto-preenchimento, ouem termos de tornar-se totalmente humano”.

Como experiências importantes, ele destaca “ter um filho”, “descobrir sua própria identidade, seu próprio self” através da psicanálise e “casar-se”. Ele considera “aprender a ser um ser humano”, como uma “educação intrínseca”.

Na medida em que ele vai destacando experiências pessoais como organizadoras, ele desconstrói o resultado da educação formal e instrucional para esta finalidade. Como decorar os doze pares de nervos cranianos, ou aprender trigonometria, memorizar vocabulário ou outro idioma, nos torna pessoas melhores? Isso não acontece. Ele afirma que o conhecimento associativo e obtido com memória ou recondicionamento (como aprender a dirigir) é importante e útil para uma sociedade tecnológica, mas não para aprender a viver.

Desenvolvendo mais seu pensamento, Maslow se questiona aonde um tipo de conhecimento fisicalista, baseado no modelo mecanicista, que se propõe neutro e livre de valores leva o ser humano? E responde: “A bombas atômicas. À bela tecnologia de extermínio, como os campos de concentração.”

Se pensarmos dessa forma, em termos do mundo do trabalho, sabemos que um conhecimento sem reflexão ética, sem visão de necessidades humanas, pode conduzir a uma forma de gestão predominantemente economicista, focalizada no produto, em resultados que não contemplam as necessidades das pessoas que trabalham, nem as pessoas que vivem em sociedade, muito menos o meio ambiente. Contudo, uma forma de pensar que focalize apenas as necessidades das pessoas que trabalham, as necessidades da sociedade e do meio ambiente, pode tornar as empresas, órgãos de estado e organizações de terceiro setor frágeis e incapazes de realizar aquilo a que se propuseram inicialmente. Como chegar ao caminho do meio? Este é um dos muitos dilemas e desafios de uma psicologia organizacional e do trabalho, e das as outras formas de conhecimento relativas ao mundo do trabalho.