quinta-feira, 31 de março de 2011

AULA INAUGURAL DO CURSO DE PSICOLOGIA


Foto: Turma de Seleção Profissional em 2008


A convite da Câmara Departamental e do Colegiado do Curso de Graduação em Psicologia, irei ministrar a aula inaugural do curso de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais em 2011.


O evento acontecerá no dia 05 de Abril de 2011, no auditório "Sônia Viegas" da Faculdade de Letras, no campus da UFMG.


Todos os leitores o OPUS e os membros da Sociedade Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho estão convidados. Entrada Franca.


O tema a ser tratado será "O Maslow Desconhecido" e se for autorizado, levarei alguns dos livros que publiquei ou participei para venda e sorteio junto aos participantes. Agradeço a honraria e a lembrança de docentes, discentes e funcionários da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG.

quarta-feira, 30 de março de 2011

VOCÊ SABE O QUE É TOYOTISMO?

Um psicólogo do trabalho não está com sua formação completa se não conhece pelo menos rudimentos de Administração da Produção. Muitos professores que trabalham com conceitos introdutórios infelizmente ainda se detêm no ensino (e na crítica) do taylorismo e do fordismo, apesar das imensas mudanças nas lógicas de produção dos últimos cinquenta anos. Consegui um conjunto de filmes sobre o desenvolvimento do toyotismo, com que mostram as linhas de produção e o contexto histórico. Confiram.





sábado, 19 de março de 2011

SOFRIMENTO E MECANISMOS DE DEFESA DE VOLUNTÁRIOS


Foto: capa do livro
Quando estudei motivação em voluntários espíritas, empreguei metodologias qualitativas em regime de triangulação, ou seja, técnicas diferentes para analisar aspectos semelhantes a fim de diminuir a influência das concepções do pesquisador nas análises e conclusões.

Foram quatro técnicas utilizadas: observação participante, descrição de atividades, análise de documentos e uma adaptação da técnica de história de vida.

Os interesses da pesquisa eram voltados à motivação de voluntários e à cultura de uma creche do terceiro setor, entretanto, durante a análise das entrevistas de história de vida voluntária, dois temas não previstos apareceram no discurso dos sujeitos: o sofrimento e os mecanismos de defesa (ou coping, como desejarem) empregados pelos trabalhadores voluntários.

Estas descobertas foram apresentadas rapidamente na tese e no livro (Voluntários: um estudo sobre motivação de pessoas e a cultura em uma organização do terceiro setor. São Paulo: EME, CCDPE, UNIFRAN, 2010), mas pude desenvolver melhor à luz do pensamento dejouriano em capítulo do livro "A Temática Espírita na Pesquisa Contemporânea" (São Paulo: CCDPE, 2010)

O encanto com o voluntariado cresceu na administração e ganhou um incentivo com as parcerias público-privado e as publicizações propostas por Bresser Pereira no governo FHC. No meio administrativo, vi muitas virtudes serem gratuitamente atribuídas ao trabalho voluntário, que com as práticas empresariais de responsabilidade social passaram a ser vistos como obrigatórios ou pelo menos valiosos, para os currículos dos que pretendiam entrar no mercado de trabalho.

Estas possíveis contribuições e desenvolvimentos das habilidades dos trabalhadores ainda estão por ser melhor pesquisadas, mas pude constatar que no meio dos voluntários concretos que estudei, a melhor expressão seria a de um livro famoso nos anos 60/70: " Eu nunca lhe prometi um mar de rosas."

SOFRIMENTO

Os tipos de sofrimento (e não doença mental) identificados no discurso dos entrevistados e claramente associados (por eles) ao trabalho voluntário foram: frustrações devido a imposições de superiores hierárquicos ou voluntários mais antigos e influentes, sentimentos de culpa desproporcional a erros de conduta relatados, sintomas psicossomáticos (sem causa principal orgânica, segundo médicos), ansiedade relacionada ao trabalho, frustração com resultados obtidos, sensação de impotência ante a miséria, reações à hostilidade inesperada de assistidos. Como o estudo não se voltava à análise destes fenômenos, embora a narrativa dos sujeitos atribua origem ou início do sofrimento aos episódios vividos na experiência voluntária e tenham sido apresentados sem intervenção do entrevistador, não se pode dizer que haja uma relação de causalidade e que a estrutura dos sujeitos não possa ter um papel na construção do significado e na vivência do sofrimento.

Outro ponto de depõe favoravelmente à associação entre sofrimento e trabalho são os mecanismos de defesa (estou usando Dejours, mas eles poderiam ser chamados de estratégias de coping se estivesse utilizando a tradição cognitivista em POT).

MECANISMOS DE DEFESA

Encontram-se nos relatos os seguintes mecanismos de defesa contra o sofrimento do trabalho voluntário: afastamento (temporário ou permanente) do trabalho voluntário, troca de atividade, uso de contrapartidas (falar de eventos gratificantes para diminuir a sensação de sofrimento da narrativa de um evento desagradável), evitar falar de eventos desagradáveis, uso do humor e idealização do líder carismático.

Alguns desses mecanismos são coletivos (observação participante), outros individuais. Coerentemente com este conceito, alguns são muito mal sucedidos com relação à sua finalidade, que é evitar o sofrimento.
Se o leitor se interessou, adquira o livro no site Estante Virtual (http://www.estantevirtual.com.br/)

sexta-feira, 18 de março de 2011

OPUS AGORA TEM TRADUTOR


Para facilitar a leitura por colegas de outros países, temos agora um tradutor no blog. Basta escolher o idioma desejado (chinês, francês, alemão, italiano, japonês, inglês, russo e espanhol) e clicar na bandeira do país. Imediatamente abre outra janela com o blog no idioma selecionado.


Este tipo de ferramenta ainda é muito limitada, mas pode ajudar a romper barreiras.

Boa leitura.

Jáder Sampaio

quinta-feira, 17 de março de 2011

O QUE É WORK SAMPLE?


Foto: Mulher faz work sample em indústria de processo


A seleção profissional tem sido mal estudada no Brasil. Muitos anos com oferta ampla de mão-de-obra, salários pequenos, legislação com facilidades para demissão em período de experiência, ausência de sanções legais para falta de critérios na escolha de pessoal, preconceito acadêmico, descrença nas técnicas psicológicas de seleção, formação deficiente dos técnicos na área de Recursos Humanos, crença ingênua na onisciência das práticas de mercado por estudantes e profissionais, entre outros motivos, explicam a falta de interesse no desenvolvimento da área por acadêmicos, consultorias e empresas, salvo honrosas exceções.

Tenho revisto nos últimos anos os avanços nas técnicas de seleção em pesquisas na Universidade Federal de Minas Gerais. Uma técnica desenvolvida no final dos anos 1960 nos Estados Unidos e em uso por todo o mundo é o chamado Work Sample, que vem sendo traduzido apressadamente como amostra de trabalho.

Originalmente, o Work Sample (WS) é uma tentativa de avaliação do trabalhador com o seu próprio trabalho. Distingue-se das provas práticas por sua técnica na construção da avaliação.


No trabalho seminal de James Campion, na década de 70 (!), ele apresenta a construção de um WS para mecânicos industriais de uma empresa alimentícia.

Essencialmente, ele:


1) Examina o trabalho com um grupo de peritos (executores, supervisores, gerentes e RH)



2) Lista exaustivamente as atividades do cargo



3) Analisa a experiência prévia apresentada pelos candidatos ao cargo que participaram dos processos seletivos prévios



4) Escolhe em conjunto com a equipe dimensões cruciais para a análise dos candidatos (neste caso, ele escolheu o uso de ferramentas e a acurácia do trabalho, com base na técnica de incidente crítico de Flanagan)



5) Escolhe atividades representativas do cargo, que os candidatos seriam capazes de realizar.



6) Desenvolve um sistema de pontuação com base na observação da realização do trabalho, e criam um formulário para avaliadores



7) Contrata avaliadores que não participaram da construção do instrumento para testá-lo, e aplicam nos mecânicos já contratados pela indústria para validação.



8) Por fim, comparara os resultados do WS com testes de capacidade cognitiva geral (Fator G), comparara também com prova de raciocínio mecânico e com avaliação dos supervisores dos mecânicos acerca de seu trabalho.



9) Fez uma análise de itens (Cronbach) do WS em construção.



Os resultados encontrados foram: há independência entre os itens do WS e boa correlação item-total (alfas superiores a 0,6, com uma exceção)



Os anos de experiência dos mecânicos não foram bons preditores de resultados (medidos a partir da avaliação dos supervisores)



O WS conseguiu medidas de associação com a avaliação de supervisores da ordem de 0,42 a 0,66 - muito superiores às dos testes de lápis e papel, que variaram entre -0,32 e -0,04, e não foram estatisticamente significativos.



Depois deste estudo este tipo de WS ficou conhecido como Hands-On Performance Test (HOPT) que traduzi como "teste de desempenho de execução direta". Outras técnicas foram desenvolvidas ao longo dos anos dentro desta concepção (WS) , inclusive a pouco conhecida prova situacional. Militza e Robertson (2000) classificaram em quatro diferentes tipos de WS, com variações em cada um dos tipos. Este, contudo, é assunto para outra publicação ou, quem sabe, um livro.