sexta-feira, 15 de outubro de 2010

AS TORRES GÊMEAS DE MASLOW

Figura 1: As torres gêmeas de NY antes do 11 de setembro
Alguns autores empregados em Comportamento Organizacional tiveram seus nomes imortalizados pelos manuais, mas foram imensamente injustiçados. Tive a oportunidade de estudar a obra de Abe Maslow e creio que ele "revira no túmulo todas as vezes que alguém apresenta a "pirâmide de necessidades" atribuída a ele.
Não posso dizer que li tudo o que ele escreveu, mas confesso que tentei: procurei avidamente a pirâmide em cada parágrafo do que li sobre motivação e confesso que não a encontrei em nada dele. (Achei, sim, milhares de pirâmides atribuídas a ele na internet).
O pior, é que a pirâmide é uma péssima imagem para sua teoria da hierarquia de preponderância de necessidades. A maioria dos autores de manuais baseia-se em um texto escrito por Maslow na década de 1940. Nele, o autor norte-americano apresenta em linhas gerais a hierarquia da preponderância das necessidades. Este texto deve ter sido muito comentado, porque em 1954 Maslow publicou o livro "Motivação e Personalidade", no qual ele parece discutir com diversas críticas que lhe foram dirigidas, tal a relativização que faz com a sua teoria de necessidades.
Neste livro clássico, Maslow fala em gratificações parciais, em ação simultânea de motivos, em privação crônica de necessidades, na possibilidade de sua hierarquia não ter validade para outras realidades culturais como a oriental, entre outras afirmações, esquecidas pelos autores de manual.
Há um capítulo no livro dedicado à sua concepção de ciência, que é crítica ao mecanicismo causalista, que ele chama de atomismo metodológico, e propõe um método que se chama dinâmico-holístico, e que é bem mais compreensivo que a tradição de seus leitores de C.O.
Para não ficar extenso, por que estou propondo a metáfora das torres gêmeas para a teoria de Maslow? Porque no seu livro "Toward a Psychology of Being" o autor humanista desenvolveu sua ideia da existência de duas dinâmicas básicas de motivação: a motivação baseada em deficiência e a motivação para o crescimento (necessidades S, ou necessidades de Ser). Na primeira dinâmica, a gratificação da necessidade diminui seu poder de influência sobre o indivíduo. Na segunda dinâmica, a gratificação da necessidade aumenta ou motiva o indivíduo a realizá-la mais.
Entre as necessidades de ser estão a autoatualização, a necessidade de saber e entender e as necessidades estéticas, duas delas geralmente ausentes na suposta pirâmide.
Esta última contribuição põe por terra a ideia de que Maslow construiu uma teoria de conteúdo e não de processo. Ele explica como se dá a motivação, sua contribuição não se reduz à enumeração de fatores.
Falando assim, ninguém acredita, não é mesmo? Um autor tupiniquim fazendo releitura de um autor do primeiro mundo? Confiram, portanto, mas creiam-me, não foi difícil constatar o que fizeram com a teoria dele. Rest in Peace, Maslow.
Livros de Maslow consultados:
Motivation and Personality. (1954)
Eupsychian Management (1974)
Toward a Psychology of Being (1998)
The Farther Reaches of Human Nature (1993)
Para ler mais o que escrevi sobre ele:
Voluntários: um estudo sobre a motivação de pessoas e a cultura em uma organização do terceiro setor (2010)
O Maslow Desconhecido: uma revisão de seus principais trabalhos sobre motivação (RAUSP - v. 44, n. 1 - 2009)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

NOVA REUNIÃO DA ABQV-MINAS


Clique na imagem para ampliar

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

COLÓQUIO HUME NA FAFICH-UFMG


O Grupo Hume está promovendo um Colóquio sobre este pensador.
Maiores informações: http://www.grupohume.blogspot.com

terça-feira, 27 de julho de 2010

CBPOT: PROF. JAIRO PROPÕE AGENDA DE PESQUISAS PARA POT NO BRASIL


Figura 1: Prof. Jairo Eduardo Borges-Andrade da UnB


Figura 2: Público durante a conferência do Prof. Jairo


O IV Congresso Brasileiro de Psicologia Organizacional e do Trabalho foi realizado no início de julho, em São Bernardo do Campo - SP.


Em uma das conferências interessantes, o Prof. Jairo Eduardo Borges-Andrade, da Universidade de Brasília apresentou os resultados de uma pesquisa que compreende a revisão sistemática de periódicos brasileiros que publicam artigos de POT. Após indicar o que e o quanto foi publicado na última década, o professor fez sugestões para uma agenda dos pesquisadores da área que envolve:
1. Construção de medidas e testes de modelos de predição são necessários:

a) em clima, desvios de comportamento, tomada de decisão e julgamentos, motivação, fuga e esquiva, criatividade e solução de problemas

b) em seleção e avaliação de desempenho

A pesquisa sobre esses objetos de estudo deve adquirir a competência teórico-metodológica demonstrada pela pesquisa em valores, contratos psicológicos , aprendizagem, percepção de justiça e equidade e TD&E

2. Pesquisadores daqueles objetos de estudo precisam criar redes como as existentes entre pesquisadores destes objetos de estudo

3. Explorar temas novos: utilizar estudos descritivos com pequenas amostras

4. Aprofundar temas conhecidos: cuidar da representatividade das amostras

5. Em gestão de pessoas em geral, é necessária a diversificação de temas e de referências advindas de outras áreas do conhecimento

6. Grupos consolidados precisam ousar investigar temáticas fora do que habitualmente fazem

7. Intensificar estudos no nível meso e utilização da abordagem multinível na sub-área como um todo

8. Utilizar mais frequentemente estudos inferenciais com desenhos quase-experimental ou experimental e de corte longitudinal, na sub-área

9. Coletar dados com mais de um método, na sub-área como um todo

10. Fenômenos da sub-área precisam ser estudados no terceiro setor e no segmento primário da economia

11. Sub-área precisa divulgar mais sua produção por meio de veículos dela própria e da psicologia, sem abandonar os veículos da administração

12. Autores também devem citar artigos nacionais, na sub-área como um todo

13. Produção intelectual da sub-área precisa ser mais bem distribuída entre autores e estes devem mantê-la ao longo de suas vidas

14. Estimular a cooperação entre docentes, para desenvolver artigos

15. Compreender redes como uma forma privilegiada de produção intelectual


(Extraído da apresentação do Prof. Jairo Borges-Andrade)

sábado, 26 de junho de 2010

MEMORANDUM PUBLICA ARTIGO SOBRE JOSEPH NUTTIN


Joseph Nuttin foi um psicólogo belga que dedicou boa parte de sua produção ao estudo da motivação. Ele foi publicado em português no final dos anos 60 e influenciou uma geração de professores que fizeram doutorado em Louvain.

Na tentativa de recuperar teorias de motivação para pensar a motivação para o trabalho, observei que ele apresenta o pensamento e os trabalhos experimentais que deram base a autores contemporâneos de motivação aplicada ao trabalho e à educação.

Como ele faz um diálogo interessante e fundamentado com as principais escolas de pensamento psicológico, recuperar suas contribuições auxilia na compreensão de modelos que hoje se tornaram apenas "propostas em si".

Recomendo ao leitor esta revista, que tem cumprido um papel diferenciado e democrático neste campo da Psicologia.

A propósito: meu nome saiu invertido no índice, mas já estou acostumado...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA SERÁ LANÇADO EM BELO HORIZONTE


O Administração contemporânea será lançado em BH no dia 07 de julho. Infelizmente não estarei neste lançamento em decorrência do Congresso Brasileiro de Psicologia Organizacional e do Trabalho - CBPOT.


Boa referência para quem quiser ler pesquisas sobre competências, entre assuntos diversos.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

PROF. AUGUSTO GALERY OFERECE CURSO SOBRE DESENVOLVIMENTO DE LIDERANÇAS - BH




CONTRIBUIÇÕES DAS PSICOLOGIAS PARA O DESENVOLVIMENTO DAS LIDERANÇAS

Período de realização: dias 19, 20 e 21 de julho de 2010

Horário: das 19h às 22h30

Carga horária: 12 horas-aula

Professor: Augusto Dutra Galery. Psicólogo pela UFMG, mestre em administração pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), doutorando em psicologia social pela Universidade de São Paulo (USP). Professor em cursos de pós-graduação lato sensu na Fundação Getulio Vargas, na Fundação Escola de Comércio Álvaro Penteado (FECAP) e na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pesquisador em Psicossociologia, Cultura Organizacional e Saúde Mental e Trabalho, com diversos artigos publicados, sendo os dois últimos aprovados na revista Cadernos de Psicologia Social do Trabalho da USP (no prelo) e no VI Colóquio Internacional de Psicodinâmica e Psicopatologia do Trabalho (São Paulo, abril de 2010). Consultor em psicossoc iologia em organizações privadas (como a Soma Logística), públicas (como o Centro de Pesquisa René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz) e sindicais (como o Sintrajud/SP) e assessor em metodologia de pesquisa (Praxian). Vencedor da categoria Monografia no Prêmio Talentos da Maturidade de 2008.

Conteúdo programático:

- Psicologia como ciência da diversidade;

- O sujeito, o indivíduo e o homo economicus

- Teoria Sistêmica e seu impacto na liderança: problematização das teorias da liderança como função da personalidade e problematização das teorias de motivação como intrínsecas ao indivíduo;

- As contribuições da Psicanálise do Vínculo Social: aspectos subjetivos das equipes e dos grupos; conflitos organizacionais, poder e cultura.

- Os impactos da liderança na Saúde Mental e Trabalho: participação, micronegociação e reflexão.

Número de vagas: 30

Taxa de inscrição: R$30,00 (a ser paga no ato da inscrição)

Investimento: 3X R$50,00

Local do Curso: Campus Aimorés

Saiba mais pelo site www.una.br/cursosdeextensao,pelo telefone 3508-9133 ou pelo e-mail cursos.extensao@una.br








segunda-feira, 14 de junho de 2010

COMPETÊNCIAS SÃO TRATADAS EM LANÇAMENTO


Os professores Cláudio Paixão e Lúcio Flávio organizaram o livro acima, com a participação de autores atuando em Minas Gerais, muitos deles professores do Mestrado Profissional em Administração das Faculdades Pedro Leopoldo - MPA.
Os temas são variados, o que levou o Dr. Cláudio a usar a expressão latina "De Variate Rerum", para apresentar o trabalho. Apesar de variados, os temas foram "costurados" com habilidade. Inicialmente há trabalhos sobre a conjuntura e a economia brasileiras. Seguem capítulos sobre inovação tecnológica, competências, trajetórias de carreiras, gestão da informação e do conhecimento. A terceira parte do livro tem temas mais técnicos, como análise de riscos, gestão municipal, teoria de opções, sistema ABC e design de produtos globais.
Minha contribuição neste latifúndio é um trabalho que mostra a trajetória do conceito de competência na realidade norte-americana. Neste capítulo defendo a existência de quatro gerações de estudos sobre competências, visando a organizar e compreender a diversidade de empregos e técnicas nesta área que se consolidou no Brasil na presente década, quase trinta anos após seu nascimento e internacionalização.
O livro pode ser adquirido junto à instituição. Quando eu tiver mais informações sobre a distribuição do mesmo, comunico aos leitores.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

MERCEARIA PARAOPEBA E ECONOMIA RURAL DE SUBSISTÊNCIA

Assista a um vídeo que mostra a história e o funcionamento de uma mercearia em Itabirito-MG


Abílio Barreto afirma que após o ciclo do ouro, boa parte da economia mineira tornou-se uma economia primordialmente rural e de subsistência. Nesta mercearia pode-se ver o escambo (troca de mercadorias), o fiado (venda em confiança, para ser paga no futuro), a anotação (registro das compras e acertos em livro), o comércio de produtos locais, que competem com os produtos industrializados (ou não, operam em um nicho de mercado), o fornecimento de matéria prima para obtenção de produtos artesanais (a deliciosa goiabada, que ele mostra) e muitos outros elementos de uma economia não industrial e comunitária.
Por quanto tempo ainda esta mercearia funcionará? Esta é uma boa pergunta, uma vez que parte de seus produtos são oriundos de pequenos produtores rurais e de trabalho doméstico. A escolarização e a industrialização, pari-passu ao desenvolvimento do comércio tornarão este negócio inviável? Espero que não.
Teorias à parte, curtam o belo trabalho de cinema e, ao visitar Itabirito, não deixem de conhecer ao vivo a Mercearia Paraopeba.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O WARTEGG E A SELEÇÃO PROFISSIONAL

Conheci o Wartegg ainda na graduação. Ele não fazia parte da grade curricular, mas uma professora dedicada cedeu aos nossos pedidos para que o ensinasse, porque era muito utilizado em seleção profissional.
É um teste projetivo de personalidade, no qual se pede ao candidato que desenhe em um dos oito quadrados (parece que há versões com dezesseis) que trazem alguns sinais impressos.
Quando comecei a lecionar seleção profissional, procurei na literatura disponível os indicadores psicométricos deste instrumento em amostra brasileira. Não encontrei. Procurei informações mais detalhadas sobre a construção do teste. Fiquei no escuro. De posse de tudo o que sabia (aplicar e cotar, com base em anotações de sala de aula), comecei a orientar os alunos que não fizessem afirmações sobre os candidatos com base em um instrumento sem validade.
Muitos alunos já utilizavam o Wartegg, especialmente os da pós-graduação que trabalhavam com seleção. Eu os incitava a procurar informações sobre o teste, mas em vão. Só me traziam informações de análises clínicas dos desenhos, sem base em estudos representativos.
Em uma das aulas, um pós-graduando perguntou à colega, que usava o teste:
- E agora? O que você vai fazer?
Ela respondeu:
- Eu vou continuar usando. Não há outro teste para usar em seu lugar.
É o costumeiro descrédito dos alunos para com o que ensinam seus professores. Com a ausência da psicometria na graduação, e a fragilidade crítica, a base do conhecimento é a suposta autoridade do professor (e talvez o jogo de identificação com ele), e não as evidências empíricas. Não admira que haja colegas que usam tarô, mapa astral e grafologia como se fossem técnicas psicológicas confiáveis.
Pesquisando no Periódicos CAPES descobri um artigo desta década que mostra uma pesquisa de validade concorrente do Wartegg em amostra brasileira com 121 pessoas. Ele foi comparado com o 16PF e com o BPR5. O resultado era esperado:
"Foram encontradas poucas correlações significativas entre os instrumentos, algumas coerentes, outras incoerentes com as propostas de interpretação do Wartegg. Grande parte das interpretações clássicas não se correlacionou significativamente com os resultados dos outros testes. Com base nesse estudo, não há evidências suficientes para a aprovação do Wartegg para uso profissional"
Autor: Souza, Carmen Vera Rodrigues de; Primi, Ricardo; Miguel, Fabiano Koich.
Título: Validade do Teste Wartegg: correlação com 16PF, BPR-5 e desempenho profissional.
Fonte: Aval. psicol;6(1):39-49, jun. 2007
Até quando vamos assinar laudos com base em instrumentos que geram informações duvidosas sobre as pessoas para fins de seleção?

sábado, 24 de abril de 2010

A NAU DOS INSENSATOS


Gregos e Persas estão no mesmo barco. Remadores dos gregos à direita e remadores dos persas à esquerda. Não se sabe porque os remadores dos persas não querem mais trabalhar com os persas. Estes ficam irritados e pensam que há alguma interferência dos gregos. Os gregos, à direita, continuam com seus remadores, mas a nau está rodando em círculos, porque não há remadores para os persas.

Os persas pedem novos remadores à autoridade náutica, que é romana. Como não houvesse remadores disponíveis, ela pensa que basta distribuir os remadores dos gregos pelos dois lados do barco para que ele ande, até que se consigam novos trabalhadores.

Expedida a ordem, os gregos se indignam. Acusam os persas, fazem o maior barulho, pedem ao remador voluntário que têm que pare de trabalhar e deixam a nau a ver navios... Eles entendem que estão defendendo seu direito e acham que houve uma conspiração entre os persas e a autoridade náutica. Desejam até ir a algum cônsul romano na esperança de uma intervenção.

A nau está parada. A autoridade náutica pede desculpas pela decisão unilateral e retorna o remador para o lado grego. O remador agradece. Os gregos comemoram. E a nau continua a dar voltas ao redor de seu próprio eixo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

VOLUNTÁRIOS FOI LANÇADO NO SÁBADO - BELO HORIZONTE


O livro Voluntários foi lançado na Livraria Quixote, em Belo Horizonte, no último dia 17. Confira mais fotos do lançamento no blog http://espiritismocomentado.blogspot.com

quarta-feira, 14 de abril de 2010

VOLUNTÁRIOS SERÁ LANÇADO NA LIVRARIA QUIXOTE - SAVASSI, BH


Tenho a satisfação de convidá-lo (a) para o lançamento do livro “Voluntários: um estudo sobre a motivação de pessoas e a cultura em uma organização do terceiro setor”, neste sábado, dia 17 de abril.

O livro é baseado na minha tese de doutoramento da USP, foi publicado a partir de esforços de diversos parceiros (FAPEMIG, Editora EME, Universidade de Franca – SP, Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo – São Paulo). É o primeiro título da Coleção “Espiritismo na Universidade”, que visa publicar teses e dissertações que tratem do Espiritismo em fronteira com alguma área do conhecimento.

Ele trata de motivação e sofrimento de voluntários, cultura organizacional do terceiro setor, o ethos espírita brasileiro (com revisão de autores da Antropologia) e mostra os resultados de um estudo feito em uma creche espírita da capital mineira.

Em anexo segue a imagem da capa do livro. Por gentileza, repassem para suas redes de relacionamento, especialmente para os interessados no tema.

Local: Livraria Quixote
Data: 17/04/2010 (isto mesmo, neste sábado....)
Endereço: Rua Fernandes Tourinho 274, Savassi. Belo Horizonte – MG
Horário: das 11:00 às 14:00 horas
Preço: R$28,00

Prof. Jáder Sampaio
PSICOLOGIA UFMG

segunda-feira, 1 de março de 2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

DISSERTAÇÃO TRATA DE VALIDAÇÃO DE CRITÉRIOS DE SELEÇÃO PROFISSIONAL



Orientada pela Dra. Elizabeth do Nascimento e por quem hora escreve, Alina Vasconcelos defende amanhã seu trabalho sobre validade preditiva de medidas psicológicas em processo seletivo de concurso público.
Alina estudou uma organização militar, que faz avaliação psicológica de seus candidatos com provas de conhecimento geral, teste de aptidão física, teste de inteligência (G36) e teste de personalidade (PMK).
Como não se fazia avaliação sistemática do processo seletivo, os dados estavam dispersos em diversos arquivos, alguns se perderam e gastou-se um bom tempo até desenvolver uma base de dados com cerca de 900 variáveis.
Para a maioria das análises estatísticas (descritivas e inferenciais, muitas técnicas não-paramétricas e de estatística multivariada) utilizou-se uma base contendo 248 sujeitos.

Os resultados são importantes para a Psicologia, posto que algumas destas técnicas são amplamente utilizadas em avaliação psicológica e são fonte de informação importante para a formação de juízo de psicólogos. O PMK, por exemplo, é amplamente utilizado na avaliação de solicitação de licenças para dirigir.

A Psicologia do Trabalho também é beneficiada com esta pesquisa. Este tipo de trabalho tem sido realizado amplamente no exterior, como se vê na revisão de literatura, e já existem padrões de validação de critérios e técnicas de seleção estabelecidos pela APA (American Psychological Association) e pela SIOP (Society for Industrial and Organizational Psychology). O domínio desta metodologia no Brasil concorre para o aumento da credibilidade do profissional e da justiça nos processos de seleção profissional realizados com avaliação psicológica.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

BLOG MUDA DE NOME


Opus é uma das muitas palavras latinas que se relaciona com o trabalho, sem um sentido parcialmente negativo, como é o caso de tripalium (instrumento romano de tortura em forma de pirâmide e instrumento agrícola de trabalho).


Os músicos usavam esta palavra para identificar suas peças e muitos são os instrumentos no meio acadêmico que a utilizam para identificar a produção dos professores e estudantes.


Nosso grupo de pesquisadores da linha "Políticas de Recursos Humanos" do diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq adotou informalmente este termo para criar uma identidade própria.


Além, portanto, dos temas que temos tratado no blog, incluiremos a produção do grupo, informando os interessados com uma linguagem quase coloquial e remetendo às fontes da produção de todos os membros.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

TESE DE DOUTORADO É PUBLICADA


Está no prelo, com programação para lançamento no início de março, a publicação do livro "Voluntários: Um Estudo sobre a Motivação de Pessoas e a Cultura de uma Organização de Terceiro Setor."
Como já vim comentando em posts anteriores e em publicações de eventos e revistas, a tese busca recuperar três autores considerados antigos, mas de extensa obra dedicada ao tema: Abraham Maslow, Joseph Nuttin e David McClelland. A releitura destes autores mostra o quanto foram esquecidas e simplificadas suas conclusões e estudos, e possibilitou a construção de um modelo teórico voltado à análise dos processos de motivação de voluntários.
Ainda na primeira parte tenta-se superar a dicotomia entre indivíduo e sociedade, o que associa o tema da cultura (analisada em níveis diversos) ao da motivação, geralmente focalizada no indivíduo.
A pesquisa exploratória que deu fundamentação empírica (e propostas de reconstrução do modelo original), aconteceu em uma creche mantida por um convênio entre o poder público municipal e uma associação espírita.
A análise do Espiritismo mostrou-se necessária para a compreensão da motivação dos voluntários e de sua inserção na organização. Esta escolha metodológica sugere que no caso das organizações que não visam lucro, com presença significativa de voluntariado, a análise cultural não pode se resumir ao nível da organização ou da sociedade, mas envolve um nível intermediário, o dos movimentos sociais, políticos ou religiosos, que interferem na própria lógica de construção da cultura organizacional e na socialização secundária dos voluntários.

Esta opção mostra a limitação da proposta de simplesmente aplicar-se práticas de gestão oriundas da iniciativa privada em organizações de terceiro setor muito acolhida nos meios acadêmicos da administração. O foco nos resultados e na sua intensificação pode fazer perder de vista os processos, criando um ambiente que não atende às demandas do voluntário.

No caso em questão, a análise da história organizacional mostrou o abandono de um projeto quase todo baseado na mão de obra voluntária, por um convênio com o Estado, o que gerou uma relação essencialmente conflituosa entre empregados e voluntários, e culminou na territorialização do espaço e no quase abandono do trabalho voluntário no território mantido com trabalho profissional.

O livro pode ser adquirido diretamente com o autor (jadersampaio@uai.com.br) ou na Distribuidora do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo - Eduardo Carvalho Monteiro (http://www.ccdpe.org.br) clicando na livraria virtual. O telefone do CCDPE é 011-5072-2211. Ainda não tenho o preço de capa e os custos de envio pelo correio, que serão divulgados a partir de março.

Convido todos a lerem e discutirem o livro com o autor, nesse espaço essencialmente democrático que é o blog.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

VOLUNTÁRIOS NA REDE MINAS

O programa Planeta Minas, produzido pela Rede Minas, tratou do tema "voluntários" nestas duas próximas semanas.
Dirigido por Gil Lima, Carlos Augusto Soares entrevistou-me e saiu a campo em busca de depoimentos e vivências que ilustram a complexidade do tema.
Geralmente anônimo ou pouco conhecido, o mundo dos voluntários é um misto de satisfação e sofrimento, realização e impotência.
No primeiro programa, Carlos entrevista diversos voluntários na capital mineira, do Brasil e do exterior, prestando serviços em favelas, em hospitais, em comunidades e junto a meninos de rua.
Ele intercala algumas das conclusões e opiniões oriundas da minha tese de mestrado com as falas dos entrevistados e as imagens, que concretizam o conhecimento produzido, tornam-no cotidiano.
Meu agradecimento à produção do programa por possibilitar a participação neste projeto tão rico quanto importante à mineiridade.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

NOVO LIVRO DE CHRISTOPHE DEJOURS


Figura 1: Christophe Dejours

O Prof. Jairo Eduardo Borges-Andrade nos enviou pela lista de discussão da SBPOT uma entrevista em periódico português do Prof. Christophe Dejours que está lançando um novo livro que trata de suicídio e trabalho. Ele faz uma análise interessante da degradação das relações de trabalho e dos efeitos indesejáveis de alguns instrumentos de Recursos Humanos.
Casos envolvendo da Renault, hospitais, universidades e outros locais de trabalho são usados como forma de ilustrar as afirmações muitas vezes contundentes.