quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O JOGO DAS SETE CASAS


Os programas de pós-graduação estão todos em busca de melhora de avaliação pela CAPES. Antigamente, os programas eram classificados em A, B e C. Como muitos tivessem chegado ao nível A, decidiu-se que a pós brasileira deveria ter critérios mais exigentes e criou-se o atual sistema de sete níveis no qual o programa com classificado como sete é considerado de inserção internacional e o programa de nível três ou abaixo está no pior dos mundos. Como já disse em outra publicação, com isto a agência interfere diretamente nas decisões da Universidades e ignora as outras dimensões que afetam a vida acadêmica, como a graduação, a extensão e a pesquisa.
Os governos, então, criaram outras fontes de tensão nas Universidades: a avaliação da graduação, a matriz de critérios para repasse de recursos (fortemente influenciada pelo número de alunos), os critérios para repasse de recursos de pesquisa. E curiosamente, os controles internos das universidades públicas continuaram sendo feitos (não posso dizer se com base em um planejamento ou não), mas certamente prejudicados pela falta de autonomia na contratação de pessoal.
Quais são as regras da CAPES? Elas variam entre as áreas de conhecimento. Cada programa de pós cria resoluções tentando atender as exigências e, dado o nosso perfil de professores universitários, quase sempre muito exigentes e ciosos da nossa reputação, vão se criando normas e exigências rumo ao projeto geral. Algumas tendo em vista a realidade internacional que é muito diferente da nossa, se observarmos alguns pontos como a administração feita por funcionários contratados para tal, o apoio nas tarefas cotidianas (como elaboração e aplicação de provas, controle de frequência, etc.), apoio administrativo na obtenção de recursos para pesquisa, sistema de secretariado, apenas para ilustrar as atividades que aqui ficaram como encargo dos professores e que em outros países são realizados por auxiliares administrativos.
Voltando à questão, o que a CAPES deseja que o professor permanente de pós na área de Psicologia faça?
1. Formação (titulação, diversificação na origem de formação e aprimoramento do corpo docente)
2. Adequação da dimensão, composição e dedicação dos docentes permanentes para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e orientação do programa
3. Perfil, compatibilidade e integração do corpo docente permanente com a proposta do programa (especialidade e adequação em relação à proposta do programa)
4. Atividade e distribuição da carga letiva entre os docentes permanentes
5. Participação dos docentes nas atividades de ensino e pesquisa na graduação (no caso da IES com curso de gradução na área), com particular atenção à repercussão que esse item pode ter na formação de futuros ingressantes na Pós-Graduação
6. Participação em pesquisas e desenvolvimento de projetos
7. Inserção acadêmica e maturidade do corpo docente
Em outras palavras, o projeto é nobre, mas para ser atendido em plenitude (ainda mais se considerarmos os outros critérios de avaliação que envolvem a proposta do programa, corpo discente, teses e dissertações, produção intelectual e inserção social).
Fico pensando o que o velho Taylor pensaria disso. Mesmo fazendo-se grupos de pesquisa no qual os nomes de todos os envolvidos constem na publicação, carga horária diferenciada entre os professores de pós e os que só trabalham na graduação, envio regular do corpo permanente para realização de pós-doc, envio de trabalhos continuados para congressos e periódicos (que demoram muito para responder, por falta de corpo de colaboradores e estrutura administrativa), como atender a tudo isso com excelência?
Proponho como hipóteses de pesquisa duas ideias: os professores bem sucedidos neste projeto envolvem o "tempo fora do trabalho", envolvidos com a universidade muito mais que as quarenta horas, e a pressão por resultados ampliaria os índices de prevalência e incidência de doenças psicossomáticas, hipertensão e outros problemas físicos e mentais.
Quem se habilita a pesquisar?

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