sexta-feira, 3 de abril de 2009

PROFISSÕES DO FUTURO

Figura 1: Capa do livro-DVD
O atual diretor do Institudo de Estudos Avançados Transdisciplinares publicou através da Editora UFMG um livro-dvd que trata das novas interconexões que o conhecimento e a tecnologia tem estabelecido na sociedade moderna.
Na primeira parte ele faz com uma linguagem direta e objetiva uma discussão polêmica sobre o papel da universidade pública contemporânea. Oportuna, ela tira do inconsciente institucional alguns valores que têm, na prática, regido as políticas universitárias, como a valorização da pesquisa de ponta, o destaque à pós stricto sensu em detrimento da graduação e a criação de novas possibilidades de articulação flexível das áreas e saberes da graduação.
O autor chega a afirmar que "não seria mais competência prioritária dessa universidade (a universidade pública), salvo melhor juízo, voltar-se para atender o mercado profissional naquilo que ele pode ser contemplado por qualificadas escolas técnicas e faculdades privadas de ensino superior."
Não sei se tenho um juízo melhor, mas ao contrário da corrente atual, entendo que a graduação ainda é o espaço acadêmico de maior conexão com a sociedade que possibilita a existência da universidade pública. A graduação de uma instuição pública de ensino superior tem inúmeras possibilidades que a lógica do capital inviabiliza, pode preocupar-se na formação de profissionais diferenciados, mas não cumprirá seu papel se não se preocupar, curso a curso, com a formação técnico-profissional do seu aluno.
Um dos dilemas da universidade pública reside na possibilidade de se transformar algo fundamental como a autonomia universitária em uma ditadura dos desejos individuais do seu corpo docente. Uma vez ouvi um colega dizer a outro que ele "não seria nada" se não se vinculasse à pós stricto sensu, não conseguisse parceria com os órgãos de fomento e não estabelecesse uma linha regular de pesquisas.
O mais curioso é que a pós se alimenta de discentes que passaram quatro ou cinco anos em formação se considerarmos apenas a graduação. O que posso entender é que continuamos um país de elites de conhecimento, e uma universidade que desvaloriza o fundamento, a base, as origens. Afinal, sempre será possível escolher o diferenciado.
De volta ao livro-dvd, Carlos se detém nas novas competências relacionadas à transdisciplinaridade, e desenvolve um texto instigante e desafiador para todos os que trabalhamos com a educação. Ele propõe uma inversão da lógica geralmente utilizada na formação, que vai do geral para o específico. "... dar formação disciplinar especializada nos primeiros anos e oferecermos, nos anos seguintes, um bacharelado ou pós-graduação transdisciplinar que permitisse ao profissional entrar em contato com outros campos do saber". Esta idéia merece ser melhor desenvolvida e, ao contrário do que possa parecer, não é diletantismo acadêmico, mas uma semente do novo.
Brandão, refletindo o pensamento do IEAT, defende que se articule um pensar complexo, global e transdisciplinar com uma ação local e criativa. Esta posição faz o leitor pensar, e ao mesmo tempo sugerir uma nova publicação que especule e apresente experiências concretas do "como fazer".
Como o blog é um espaço de leitura rápida, vou deixar ao leitor um gostinho de quero mais, que só se obtém lendo o livro e assistindo o DVD. A segunda parte do livro traz 81 possibilidades de novas profissões. A leitura é instigante e demonstra muita imaginação concreta, muito diálogo entre áreas diferentes. Senti-me relendo um romance de Júlio Verne, apesar de serem textos de explicações rápidas sobre as idéias.
Ainda não pude assistir ao DVD, mas deixo ao leitor do blog a tarefa de comentá-lo...

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