sábado, 4 de abril de 2009

CONFERÊNCIAS ERRAMOS. JUNGUIANOS NÔMADES

Fui convidado para apresentar o trabalho "Entre a luz e a escuridão: satisfação, desligamento e sofrimento de trabalhadores voluntários espíritas" no encontro dos junguianos nômades. Quem são junguianos nômades? Leia abaixo o texto da organização do evento. Estudantes, não se esqueçam de ler o último parágrafo desta publicação.




"Qual é o papel do erro na psicoterapia? O que nós, terapeutas, candidatos a psicoterapeutas e pacientes temos a aprender com os erros que acontecem dentro e fora do setting terapêutico? Por que os eventos sobre psicologia, análise e psicoterapia falam tanto dos acertos e tão pouco dos erros? Por que é tão difícil falar do erro? O que esse ato oculta? Como nós terapeutas e pacientes lidamos com o fracasso na psicoterapia?

É sobre esses e outros temas que estaremos debruçados no III Encontro de Junguianos Nômades, programado para os dias 12, 13 e 14 de junho de 2009 em Belo Horizonte (MG) e que terá como título “Conferências de Erramos! Erro, Fracasso e Errância na Psicoterapia”.

Esse título comporta um duplo trocadilho. O erro se coloca ao lado de um topônimo caro aos junguianos: Eranos (encontro realizado por iniciativa de Olga Fröbe-Kapteyn, desde 1933 na Suíça, em Ascona-Moscia, onde Jung e algumas das mentes mais brilhantes do século XX proferiam conferências que esboçaram parte de suas idéias seminais) e errância (parte da condição pós-moderna, onde a não fixação absoluta a uma postura, um papel ou afiliação é evidente).

A idéia de errância relaciona-se intimamente à proposta do Nomadismo desenvolvido por Maffesoli e que serviu de inspiração para designar aos participantes desses eventos. Para Maffesoli[1], o nomadismo é a “tendência de uma época que, por uma volta cíclica de valores esquecidos, se liga à contemplação daquilo que é”. Nas palavras de Liberato[2], um reinício da “circulação” que atravessa a vida cotidiana após todo o fechamento praticado durante a modernidade.A “Sede do Infinito” dos Nômades, Junguianos ou não, os põe em busca de outros conhecimentos, de outros diálogos, de outros sentidos e de outros significados para além dos óbvios teóricos, das opiniões estabelecidas, das crenças aferradas ao senso-comum e das ortodoxias institucionais. Para Maffesoli a errância é o modus operandi do Nomadismo a chave que permite a abordagem do “pluralismo estrutural dado pela pluralidade de facetas do ‘eu’ e do conjunto social. E também um modo de vivê-lo”. Para nós, essa idéia é cara. O “êxtase” da errância permite-nos escapar, simultaneamente, ao fechamento sobre nós mesmos e à obrigação da resistência junto aos bastiões científicos, profissionais e sociais onde se refugiam os “partidos” e “facções” em permanente guerra.

Nos campos da Clínica Junguiana e para a sub-disciplina acadêmica dos Estudos Junguianos a pluralidade de valores e a pluralidade de papéis conduzem a um politeísmo de valores fundamental para que possamos experimentar, simultâneamente, a aproximação e o distanciamento crítico sugeridos por Samuels[1] como absolutamente necessários a uma exploração atual do legado de Jung.

A idéia dos Encontros de Junguianos Nômades reveste-se do simbolismo da peregrinação (do Latim, per agros, ir pelos campos): jornada realizada, desde os tempos mais remotos, motivada por alguma coisa ou em busca de alguma coisa e que possuí um sentido e um valor em aberto, pronto a ser acrescentado por cada pessoa que a executa.

Utilizando com certa liberdade a leitura de Liberato[2]: que o politeísmo de valores, causa e efeito de uma vida errante, conduza os que se sentirem motivados a participar conosco dessa jornada uma oportunidade para o encantamento pessoal e o re-encantamento do mundo! "

[1] Samuels, A. Jung and the Post-Jungians. London and Boston, Routledge & Kegan Paul, 1985.
[2] LIBERATO, L. V. M. op cit.
[1] MAFFESOLI, Michel. Sobre o Nomadismo: vagabundagens pós-modernas, Rio de Janeiro, Record, 2001, p. 28.
[2] LIBERATO, L. V. M. Nomadismo Pos-Moderno. Politica & Sociedade, Florianopolis, v. 1, p. 225-234, 2002.

PARTICIPAÇÕES CONFIRMADAS:
Carlos Bernardi, Dr (Rio de Janeiro)
Cláudio Paixão Anastácio de Paula, Dr. (Belo Horizonte)
Henrique Pereira, Dr. (Rio de Janeiro)
Guilherme Scandiucci, Ms. (São Paulo)
Jader dos Reis Sampaio, Dr. (Belo Horizonte)
Marco Heleno Barreto, Dr. (Belo Horizonte)
Paulo Bonfatti, Dr. (Juiz de Fora)
Walter Melo, Dr. (São João Del Rey)

SOBRE O LOCAL DE REALIZAÇÃO, CUSTOS DE ALIMENTAÇÃO E HOSPEDAGEM (PENSÃO COMPLETA)
LOCAL: O evento acontecerá no mesmo local onde ele foi realizado pela primeira vez... O CASA DE RETIROS SÃO JOSÉ em Belo Horizonte, MG (http://www.provinciadorio.org.br/retiro/crsj.htm ). A Casa de Retiros São José fica numa área de 45.000m2 de área verde preservados dentro de Belo Horizonte. Possui instalações planejadas num estilo simples e com decoração clássica e confortável; um projeto paisagístico (quiosques, trilhas e jardins) que proporciona aos seus hóspedes belos momentos de interação e harmonia com a natureza; toda a estrutura e assessoria para eventos, inclusive, qualidade no atendimento e segurança em suas dependências; acomodações para até 193 convidados; auditório estruturado para 400 pessoas e salas de reunião para 100 pessoas. Além disso, a Casa oferece em restaurante refeições da culinária mineira típica, preparada com ingredientes de sua própria horta orgânica.

ENDEREÇO:
Avenida Itaú 475 – Dom Bosco
CEP: 30730-280
Belo Horizonte – MG
Fone: (31) 3411-5040
Fax: (31) 3411-4813
E-mail: crsj_bh@yahoo.com.br

MODALIDADES DE PARTICIPAÇÃO:

A – Modalidade Almoço: inclui lanche da manhã, almoço e lanche da tarde – R$ 70,00 (R$ 35,00 por dia)
B – Modalidade Almoço e Jantar: inclui lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar – R$ 90,00 (R$ 45,00 por dia)
C – Modalidade Hospedagem Quarto Duplo: Valor da Hospedagem PARA O FIM-DE-SEMANA INTEIRO com Pensão Completa: R$140,00
D – Modalidade Hospedagem Quarto Individual: Valor da Hospedagem PARA O FIM-DE-SEMANA INTEIRO com Pensão Completa: R$180,00
NOTA INFORMATIVA – REGULAMENTO DE GRATUIDADE PARA ESTUDANTES:
A “Casa de Retiros São José” não aluga o auditório. Ela cede o espaço para que faz as atividades lá desde que as pessoas: ou se hospedem ou, pelo menos, façam as refeições no local. Dessa forma para que os estudantes participem GRATUITAMENTE eles terão que optar por uma das quatro alternativas citadas acima A,B,C OU D. Esta é portanto uma condição irrevogável para que o estudante possa gozar desse benefício!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

PROFISSÕES DO FUTURO

Figura 1: Capa do livro-DVD
O atual diretor do Institudo de Estudos Avançados Transdisciplinares publicou através da Editora UFMG um livro-dvd que trata das novas interconexões que o conhecimento e a tecnologia tem estabelecido na sociedade moderna.
Na primeira parte ele faz com uma linguagem direta e objetiva uma discussão polêmica sobre o papel da universidade pública contemporânea. Oportuna, ela tira do inconsciente institucional alguns valores que têm, na prática, regido as políticas universitárias, como a valorização da pesquisa de ponta, o destaque à pós stricto sensu em detrimento da graduação e a criação de novas possibilidades de articulação flexível das áreas e saberes da graduação.
O autor chega a afirmar que "não seria mais competência prioritária dessa universidade (a universidade pública), salvo melhor juízo, voltar-se para atender o mercado profissional naquilo que ele pode ser contemplado por qualificadas escolas técnicas e faculdades privadas de ensino superior."
Não sei se tenho um juízo melhor, mas ao contrário da corrente atual, entendo que a graduação ainda é o espaço acadêmico de maior conexão com a sociedade que possibilita a existência da universidade pública. A graduação de uma instuição pública de ensino superior tem inúmeras possibilidades que a lógica do capital inviabiliza, pode preocupar-se na formação de profissionais diferenciados, mas não cumprirá seu papel se não se preocupar, curso a curso, com a formação técnico-profissional do seu aluno.
Um dos dilemas da universidade pública reside na possibilidade de se transformar algo fundamental como a autonomia universitária em uma ditadura dos desejos individuais do seu corpo docente. Uma vez ouvi um colega dizer a outro que ele "não seria nada" se não se vinculasse à pós stricto sensu, não conseguisse parceria com os órgãos de fomento e não estabelecesse uma linha regular de pesquisas.
O mais curioso é que a pós se alimenta de discentes que passaram quatro ou cinco anos em formação se considerarmos apenas a graduação. O que posso entender é que continuamos um país de elites de conhecimento, e uma universidade que desvaloriza o fundamento, a base, as origens. Afinal, sempre será possível escolher o diferenciado.
De volta ao livro-dvd, Carlos se detém nas novas competências relacionadas à transdisciplinaridade, e desenvolve um texto instigante e desafiador para todos os que trabalhamos com a educação. Ele propõe uma inversão da lógica geralmente utilizada na formação, que vai do geral para o específico. "... dar formação disciplinar especializada nos primeiros anos e oferecermos, nos anos seguintes, um bacharelado ou pós-graduação transdisciplinar que permitisse ao profissional entrar em contato com outros campos do saber". Esta idéia merece ser melhor desenvolvida e, ao contrário do que possa parecer, não é diletantismo acadêmico, mas uma semente do novo.
Brandão, refletindo o pensamento do IEAT, defende que se articule um pensar complexo, global e transdisciplinar com uma ação local e criativa. Esta posição faz o leitor pensar, e ao mesmo tempo sugerir uma nova publicação que especule e apresente experiências concretas do "como fazer".
Como o blog é um espaço de leitura rápida, vou deixar ao leitor um gostinho de quero mais, que só se obtém lendo o livro e assistindo o DVD. A segunda parte do livro traz 81 possibilidades de novas profissões. A leitura é instigante e demonstra muita imaginação concreta, muito diálogo entre áreas diferentes. Senti-me relendo um romance de Júlio Verne, apesar de serem textos de explicações rápidas sobre as idéias.
Ainda não pude assistir ao DVD, mas deixo ao leitor do blog a tarefa de comentá-lo...