sexta-feira, 30 de outubro de 2009

TRABALHO SOBRE MOTIVAÇÃO DE VOLUNTÁRIOS ACEITO NO EnGPR




A comissão organizadora do II Encontro de Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho, ligado à ANPAD, aceitou o trabalho em que propomos um novo modelo de pesquisa para estudo da motivação, que foi utilizado na análise da motivação de voluntários.


Ele propõe analisar a motivação como um fenômeno ao mesmo tempo interno e externo, e usa como conceito de motivação o proposto por Nuttin nos anos 60, que a entende como um projeto de ação.


As principais contribuições teóricas desta proposta vêm de McClelland, Maslow e Nuttin, que dedicaram muitos anos à pesquisa empírica e à revisão das teorias vigentes sobre o tema.





Além de uma proposta de fatores de motivação, e de uma dinâmica externo-interno, o modelo propõe uma análise dinâmica.

Na análise do voluntariado o modelo mostrou-se útil para a análise das fontes orais, baseadas na sequencia das experiências como voluntário que cada um dos participantes narrou e que foi gravada.

Convido os colegas a analisar e contribuir com o esforço de desenvolver e fundamentar um modelo complexo de análise da motivação.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O JOGO DAS SETE CASAS


Os programas de pós-graduação estão todos em busca de melhora de avaliação pela CAPES. Antigamente, os programas eram classificados em A, B e C. Como muitos tivessem chegado ao nível A, decidiu-se que a pós brasileira deveria ter critérios mais exigentes e criou-se o atual sistema de sete níveis no qual o programa com classificado como sete é considerado de inserção internacional e o programa de nível três ou abaixo está no pior dos mundos. Como já disse em outra publicação, com isto a agência interfere diretamente nas decisões da Universidades e ignora as outras dimensões que afetam a vida acadêmica, como a graduação, a extensão e a pesquisa.
Os governos, então, criaram outras fontes de tensão nas Universidades: a avaliação da graduação, a matriz de critérios para repasse de recursos (fortemente influenciada pelo número de alunos), os critérios para repasse de recursos de pesquisa. E curiosamente, os controles internos das universidades públicas continuaram sendo feitos (não posso dizer se com base em um planejamento ou não), mas certamente prejudicados pela falta de autonomia na contratação de pessoal.
Quais são as regras da CAPES? Elas variam entre as áreas de conhecimento. Cada programa de pós cria resoluções tentando atender as exigências e, dado o nosso perfil de professores universitários, quase sempre muito exigentes e ciosos da nossa reputação, vão se criando normas e exigências rumo ao projeto geral. Algumas tendo em vista a realidade internacional que é muito diferente da nossa, se observarmos alguns pontos como a administração feita por funcionários contratados para tal, o apoio nas tarefas cotidianas (como elaboração e aplicação de provas, controle de frequência, etc.), apoio administrativo na obtenção de recursos para pesquisa, sistema de secretariado, apenas para ilustrar as atividades que aqui ficaram como encargo dos professores e que em outros países são realizados por auxiliares administrativos.
Voltando à questão, o que a CAPES deseja que o professor permanente de pós na área de Psicologia faça?
1. Formação (titulação, diversificação na origem de formação e aprimoramento do corpo docente)
2. Adequação da dimensão, composição e dedicação dos docentes permanentes para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e orientação do programa
3. Perfil, compatibilidade e integração do corpo docente permanente com a proposta do programa (especialidade e adequação em relação à proposta do programa)
4. Atividade e distribuição da carga letiva entre os docentes permanentes
5. Participação dos docentes nas atividades de ensino e pesquisa na graduação (no caso da IES com curso de gradução na área), com particular atenção à repercussão que esse item pode ter na formação de futuros ingressantes na Pós-Graduação
6. Participação em pesquisas e desenvolvimento de projetos
7. Inserção acadêmica e maturidade do corpo docente
Em outras palavras, o projeto é nobre, mas para ser atendido em plenitude (ainda mais se considerarmos os outros critérios de avaliação que envolvem a proposta do programa, corpo discente, teses e dissertações, produção intelectual e inserção social).
Fico pensando o que o velho Taylor pensaria disso. Mesmo fazendo-se grupos de pesquisa no qual os nomes de todos os envolvidos constem na publicação, carga horária diferenciada entre os professores de pós e os que só trabalham na graduação, envio regular do corpo permanente para realização de pós-doc, envio de trabalhos continuados para congressos e periódicos (que demoram muito para responder, por falta de corpo de colaboradores e estrutura administrativa), como atender a tudo isso com excelência?
Proponho como hipóteses de pesquisa duas ideias: os professores bem sucedidos neste projeto envolvem o "tempo fora do trabalho", envolvidos com a universidade muito mais que as quarenta horas, e a pressão por resultados ampliaria os índices de prevalência e incidência de doenças psicossomáticas, hipertensão e outros problemas físicos e mentais.
Quem se habilita a pesquisar?

sábado, 17 de outubro de 2009

LIVRO DE PESQUISAS SOBRE O ESPIRITISMO


Lançamos em São Paulo, no dia 26 de Setembro, o livro "Pesquisas sobre o Espiritismo no Brasil: Textos Selecionados".
Este é um projeto articulado ao ENLIHPE, que é um encontro de pesquisadores do Espiritismo, com um destaque para a História do Espiritismo. Inscrevem-se pesquisadores do meio acadêmico, pessoas que defenderam dissertações, teses ou que venham fazendo pesquisas sobre o Espiritismo, e pesquisadores independentes.
O evento é temático e multidisciplinar. Neste livro, selecionamos alguns dos melhores trabalhos e solicitamos que os autores os ampliassem, se julgassem necessário. Há trabalhos das áreas de História, Educação, Filosofia, Administração, Literatura, Jornalismo e um levantamento das teses e dissertações de temática relacionada ao Espiritismo de 1989 a 2006, no banco de teses da CAPES. Há uma relação de autores e orientadores das diversas universidades brasileiras.
Os interessados em cultura brasileira, religião e Espiritismo com certeza se interessarão pelo livro.
Pedidos podem ser feitos ao Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo - Eduardo Carvalho Monteiro, em São Paulo.
Alameda dos Guaiases 16, Planalto Paulista. São Paulo, SP
Fone 011-5072-2211
Pedidos podem ser feitos na livraria on-line do CCDPE: http://www.ccdpe.org.br/
(Clicar no link livraria)
O livro está sendo vendido a R$25,00 mais as despesas de envio.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

RH JR PROMOVE CICLO DE PALESTRAS


Metade do evento já foi, mas ainda há tempo... Perdoem-me os leitores.

domingo, 6 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

TRANSDISCIPLINARIDADE E POLÍTICAS DA CAPES PARA A PÓS-GRADUAÇÃO

Figura 1: Enriquez na UFMG

Na década de 90, Eugène Enriquez, professor Francês, fez uma conferência magistral na UFMG sobre inter, multi e transdisciplinaridade. À época, se a memória não me engana, ele defendia a transdisciplinaridade como um caminho para o desenvolvimento teórico das ciências.
Enriquez mostrou sua trajetória acadêmica entre muitas áreas de conhecimento: das ciências sociais, ele passou pela História e Psicanálise, o que culminou no desenvolvimento dos conceitos da psicossociologia, área que se beneficiou da reconstrução de conhecimentos destas outras para o seu desenvolvimento.
O professor nos mostrava na FAFICH-UFMG as experiências de grupos transdisciplinares que se formavam na França. Respondendo a uma pergunta, ele explicava: o químico explicava suas teorias químicas para professores de todas as áreas. Nós estudávamos a possibilidade de compreensão de fenômenos nas nossas respectivas áreas com uma nova visão, uma abordagem diferente". Obviamente não nos tornávamos químicos.
Ele mostrou sua trajetória acadêmica ensinando a alunos de economia e não ocultava o mal estar que causava sua trajetória aos colegas, que desconfiavam desta inquietude intelectual e da sua não conformidade às trajetórias tradicionais.
Fazendo um contraponto, vi o currículo de uma cientista americana que se especializou na área xxx (não me lembro o número, mas era um número natural da casa das centenas) do cérebro. Inúmeras publicações sobre o mesmo tema.
O primeiro pesquisador trabalha com uma concepção de renovação das teorias científicas. Bachelard fala em cortes epistemológicos, Kuhn analisaria a partir do surgimento e constituição de novos paradigmas. A segunda pesquisadora trabalha em uma perspectiva de acúmulo progressivo de conhecimentos em uma determinada área. É um princípio antigo das concepções positivistas (no sentido comtiano) de ciência.
Ao agrupar cientistas de mesma área e mesma linha de pesquisa nos programas de pós-graduação, direcionar as publicações dos pesquisadores para a mesma área, buscando a perpetuidade das linhas e a formação de grupos de pesquisa, possivelmente, os órgãos de avaliação tornam marginais as atividades transdisciplinares e se mostram incapazes de distinguir de forma substancial o trabalho criterioso entre áreas ou construído a partir do diálogo de áreas dos programas do tipo colcha de retalhos, que ajuntam professores individualistas fazendo "carreira solo", sempre à busca da pulverização dos recursos de fomento.
Curiosamente, em minha universidade a graduação se esforça em transformar os "currículos monolíticos" em possibilidades de trajetórias flexíveis, com a criação das formações complementares, a orientação aos colegiados para não criarem falsos pré-requisitos nas disciplinas (que funcionam apenas como barreiras de entrada aos alunos), possibilitar a integralização de optativas livres, certa que está que não será possível crescer apenas criando novos cursos, tal a complexidade da integração dos conhecimentos no mundo da prática profissional. Uma pós conservadora face a uma graduação revolucionária, mercê da interferência desmesurada dos órgãos de fomento nas políticas universitárias
O efeito perverso desta política é a marginalização da renovação do pensamento teórico no Brasil que ficará à mercê do primeiro mundo, lugar em que um professor de sociologia se interessa pelos avanços da química.


sexta-feira, 31 de julho de 2009

UM NOVO TEMPO NA PÉRSIA?


Figura 1: Denário com Apolo Assentado

O Ameshapenta ouviu o estrategos gregos em sua Universidade.


Depois ele procurou uma pitonisa e conversou com Apolo que lhe disse:


"Eles acreditam que inauguraram um novo tempo. Só têm olhos para os seus acertos e para os erros do passado, mas são cegos para seus erros e para os acertos do passado."

Apolo, então, falou do futuro:


"Assim o farão os revolucionários franceses em 1793. Eles publicarão um calendário totalmente diferente do Juliano, tendo como ano 1 o da sua revolução. Qual o seu objetivo? Deixar marcado na mente das pessoas o acontecimento? Instaurar uma nova ordem psicológica na mente da população a partir do tempo? Simbolizar um rompimento com a antiga ordem? Talvez tudo isto."


- "Ingênuos!", disse Apolo. "A História tomará seu rumo e, em 1806, Napoleão Bonaparte abolirá o tal calendário, demarcando a volta ao novo passado, possível pelos seguidos erros dos revolucionários iludidos."

domingo, 19 de julho de 2009

RECRUTAMENTO VIA WEB

Figura 1: Enfermeira no computador
Por mais estranho que possa parecer o processo de contratação de novos trabalhadores é uma via de mão dupla. A empresa escolhe o candidato e o candidato escolhe a empresa em que deseja trabalhar.

É muito comum o corpo gerencial acreditar que todos estão precisando do trabalho e que o mercado de mão de obra está cheio de interessados em trabalhar na sua empresa, o que nem sempre é real.

A visão da mútua escolha, pressupõe um trânsito de informações entre candidato e empresa, para que se reduzam os problemas posteriores à contratação para os dois lados.


Informática e Seleção de Enfermeiros

Uma das iniciativas que as novas ferramentas da informática forneceram para a nossa área é a internet. O leito imediatamente imagina em usá-la da mesma forma que se utilizavam os currículos, como uma espécie de pombo correio para receber currículos de interessados e submeter currículos a agências, mas as possibilidades são muito maiores.

Um bom exemplo de uso da internet foi a pesquisa desenvolvida por Van Hoye e Lievens (2007). Eles selecionaram um segmento de difícil preenchimento que é o de enfermeiros (de nível superior, com pós-graduação). A demanda deste tipo de profissional é enorme na Europa e nos Estados Unidos e os qualificados têm muitas opções de lugares para trabalhar, podendo escolher entre diversos hospitais e clínicas.

Esta conformação do mercado de trabalho deste tipo de profissional torna-o dinâmico, porque se o profissional não está satisfeito com o trabalho, não há impedimentos formais para procurar outros.

Recrutamento via Web: a segunda via

Estes dois pesquisadores se interessaram em entender como qualificar melhor o recrutamento informando o candidato sobre o trabalho que realizará na organização. E estudaram outras questões intermediárias, como as diferentes fontes de informação sobre a organização, a credibilidade nestas fontes, o conteúdo da mensagem das diferentes fontes e a atratividade da organização que usa recursos via internet.
A segunda via a que nos referimos é o trânsito de informação para o candidato.

Recrutamento boca-a-boca
Além das tradicionais fontes controladas pela organização, com textos e informações do tipo propaganda ou do tipo depoimento, a internet possibilita que o interessado em participar do processo converse com um profissional empregado na organização.

Esta conversa, que vai desde as informações sobre a organização e o trabalho até a vivência do profissional, chamamos de boca-a-boca. Funciona com um instrumento tipo chat, hoje muito disponíveis e acessíveis à classe média. Em um futuro próximo será acessível às classes populares.

Resultados

Van Hoye e Lievens constataram que a associação de conteúdo e mensagem de recrutamento via web aumentaram a credibilidade e a atratividade dos candidatos. O uso de depoimentos da experiência individual formais e informais e de informações sobre a informação, formais e informais, alteram a atratividade e, melhor que isso, permitem que as escolhas pelo candidato sejam melhores, reduzindo o turnover posterior se as informações forem reais (tratarem de aspectos agradáveis e desagradáveis do trabalho) em vez de peças de publicidade preocupadas em "vender" a organização e a vaga.


segunda-feira, 6 de julho de 2009

OS AREOPAGITAS GREGOS


Figura 1: Anaké (a inevitabilidade), esposa de Chronos
O professor ameshapenta foi convocado a uma reunião de areopagitas. Ele foi acusado de evocar indevidamente o deus Chronos e de, como Persa ignorante que é, impedir a democracia.

O ameshapenta considera a democracia grega muito curiosa. Ela só é utilizada pelos gregos e para os gregos, apesar do belo discurso alexandrino. A democracia grega não dá direito aos Persas dirigidos pela Satrapia de Alexandre Magno, mesmo que cumpram as leis criadas pelos próprios gregos.

Pela sua blasfêmia com Kairós, os gregos foram punidos por Zeus. Ele foi implacável com os areopagitas. O ameshapenta viu quando Horæ, filha de Chronos, ordenou a Kairós que partisse. Kairós se foi e levou consigo o aditivo, documento grego utilizado pelos seus devotos para modificar a lei segundo seu arbítrio, em desrespeito aos filhos da grande nação persa.

Os gregos lamentaram e esbravejaram com altos brados, expressaram sua raiva e frustração contra o pequeno ameshapenta, mas Kairós já havia partido e levou consigo o tal aditivo.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

KAIROS POR ESOPO


Figura 1: Kairos

"Correndo rapidamente, medindo no fio da navalha, careca, mas com um cacho de cabelos na testa, ele não usa roupas; se você o segura de frente, pode ser capaz de detê-lo, mas uma vez que ele tenha se movimentado, nem Júpiter (Zeus) pessoalmente pode recolocá-lo em seu lugar: este é o símbolo do tempo (Kairós), o breve momento no qual as coisas são possíveis."


ESOPO, Fábulas, 536

Tradução do Inglês: Jáder Sampaio

ADMIRAÇÃO



Ontem participei de uma assembléia memorável do Departamento de Psicologia da UFMG. Independente dos resultados, gostaria de deixar registrado dois momentos de admiração. O primeiro foi com relação à conduta imparcial e ética da Diretoria da Faculdade e de seu Secretário Geral.


O segundo foi com relação à conduta discente. Os alunos lotaram um dos maiores auditórios da Escola de Biblioteconomia, assistiram aos debates e os representantes abriram mão de seu poder de voto em favor da opinião de seus representados.


Eles se retiraram organizadamente do auditório, contaram os votos de centenas de alunos e votaram proporcionalmente ao que seus colegas deliberaram. Depois declararam seus votos em assembléia, com transparência, correção e coragem.


Mesmo que tivessem votado contra o candidato que apoiei e apóio, não teria sido menor a minha admiração, que exprimo publicamente para que seja recordada e pensada pelos cidadãos brasileiros.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

NA UNIVERSIDADE PERSA

Figura 1: Estátua equestre de Alexandre

Conta-se que na Pérsia controlada pelos sátrapas de Alexandre, O Grande, um líder macedônio disse aos membros da Universidade de Ecbátana que ele nunca havia lido o Regimento Interno, nem se interessava em fazê-lo.

Um professor ameshapenta, ouvindo o poderoso Sátrapa, recordou-se do mito sagrado contado por Sigismundus.


O sábio da antiguidade conta que na origem do grande império persa houve um rei tirano que fazia tudo o que desejava. Este rei foi morto pelos filhos que juraram respeitar a lei. A partir daí fundou-se a grande civilização persa.

O ameshapenta entendeu que os macedônios levariam sua grande civilização aos tempos da horda e da barbárie.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

UMA HISTÓRIA SOBRE A REPOSIÇÃO DE VAGAS DOCENTES


Figura 1: Ipês amarelos na região de Catalão.

Era uma vez um cerrado. Para quem é de outros lugares, o cerrado é uma vegetação que cobre uma boa parte de Minas Gerais. Ele tem árvores tortas, frutas exóticas, áreas de veredas. Quem acampava no cerrado mineiro, podia comer araticum, araçá, coquinho de buriti, guariroba, figo, jabuticaba, jatobá, marmelo, goiaba, ingá, mangaba... Podia tomar chás diversos, como pata de vaca, assa-peixe... Podia ver ipês de diversas cores, orquídeas, samambaias...

Um dia vieram os técnicos do governo. Eles eram bons técnicos, estudaram no exterior. Eles resolveram que aquelas terras eram improdutivas e que seus proprietários não poderiam mais viver para subsistência. Mostraram plantas de outros biomas, muitas do exterior, e ordenaram que os agricultores se especializassem em uma cultura e que se organizassem em torno dela.

Eles não aceitavam que os agricultores tentassem viver do que o cerrado dava. Estabeleceram pequenas reservas e começaram a ensiná-los a trabalhar sob a forma de cooperativas. Quem não entrasse na cooperativa, não recebia recursos do governo.

Aos poucos os próprios donos de cerrado começaram a pressionar seus vizinhos para aderirem à agricultura de monocultura. Derrubaram os ipês, derrubaram os buritizeiros, transformaram as veredas em açudes, extinguiram-se os araçás, como a jabuticaba era doce e querida, mantiveram alguns pés no quintal para consumo próprio.

Uma região plantou kiwi, outra se especializou em abacaxis, outra resolveu cortar as árvores e plantar capim braquiária para criação de bois da raça Hereford, outros criaram vacas holandesas, boas para leite.

O cerrado foi se transformando. As cooperativas realmente aumentavam a produção, mas diminuíram a variedade. Uma coisa curiosa começou a acontecer: com o aumento de produção, os veículos de transporte dos produtos começaram a não dar conta de levar o excedente e os centros de abastecimento diminuíram a variedade. Outro efeito: os produtos começaram a ficar mais perecíveis. O pior de tudo, é que as novas gerações de consumidores não conheciam mais o araçá, o ingá e a guariroba. Os figos passaram a ser importados da Turquia!

Os próprios agricultores resolveram especializar suas regiões, e olhavam de forma ainda mais desconfiada, considerando insano quem desejasse manter grandes áreas de cerrado. Cerrado virou passado.

Figura 2: Belos ipês roxos. Onde está o cerrado?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

QUEM TEM MEDO DO ESTÁGIO PROBATÓRIO?


Estes dias estou relendo os trabalhos que tenho de Christophe Dejours e ocorreu-me algo paradoxal.

Há cerca de vinte e cinco anos fui estagiário em uma grande empresa de comunicações, experiência marcante na minha trajetória profissional. Tive um colega muito competente que era técnico em eletrônica e que havia concluído seu período de experiência.

O emprego era muito importante para ele, e a CLT dispunha (e ainda dispõe) que o contrato de experiência não pode exceder noventa dias (artigo 445), dentro dos quais se pode dispensar o empregado sem aviso prévio nem indenização. É possível inclusive a demissão por justa causa.

Ele começou a ficar ansioso e preocupado no período de experiência. Como não estava claro para ele o que estava sendo observado, os colegas perceberam que ele tentava “mostrar serviço” além do necessário. A chefia imediata, percebendo o seu estado, conversou com ele para que não se preocupasse tanto, passando-lhe segurança com relação à avaliação.

Curiosamente, há muitos anos tenho estado no serviço público. Diferentemente da iniciativa privada, o servidor concursado entra em estágio probatório por um período de três anos. O artigo 20 do Regime Jurídico Único dispõe sejam avaliadas: a assiduidade; a disciplina; a capacidade de iniciativa; a produtividade e a responsabilidade.

Obviamente, cabe à instituição estabelecer critérios claros para cada cargo ou carreira, em respeito à Constituição Federal, segundo o princípio da objetividade.

Mais recentemente tenho visto o que o psiquiatra francês denomina como exploração do sofrimento, mais especificamente o medo de ser dispensado do serviço público no estágio probatório entre uma certa classe de servidores. O superior hierárquico, servindo-se da generalidade dos critérios de avaliação, adverte o subordinado que ele será mal avaliado no estágio probatório, servindo-se de uma resolução que estabelece com detalhes o rito processual, mas não estabelece com objetividade o que é esperado, por exemplo, do trabalho de um professor adjunto ou assistente.

Com esta forma de ação, mais que disciplina, se demanda docilidade e submissão, estabelece-se arbitrariamente a produtividade (não há metas, objetivos ou indicadores) e os demais itens, que deveriam ser objetivos, perdem-se na subjetividade dos avaliadores. Cabe ao professor em estágio probatório temer e fazer o que lhe mandam, independente da razoabilidade das demandas, a menos que deseje ingressar em um longo processo de defesa do seu cargo.
Curioso paradoxo: a chefia da iniciativa privada evitando a pressão por produtividade e a chefia do serviço público explorando-a.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Transtorno Bipolar



Leitor, uma oportunidade de abordar o tema e atualizar-se.

CONSEG BETIM - A PARTICIPAÇÃO PÚBLICA

Aberta a discussão, da qual corro o risco de não conseguir reproduzir, uma vez que minhas anotações foram anexadas às do relator para encaminhamento, houve uma participação predominantemente positiva, propositiva e de busca de princípios, diretrizes e ações.

Chamou-me a atenção a proposta de ampliar a definição dos agentes da segurança pública. A jovem apontou diversos programas preventivos que demandam recursos e qualificação. Imediatamente outros segmentos que se sentiram esquecidos no meu “aquecimento” se manifestaram, como agentes penitenciários, policiais rodoviários, guardas municipais e patrimoniais, bombeiros, entre outros, que a memória já não ajuda mais a discriminar.

Outra proposta inovadora, de um participante, envolve a criação de canais de comunicação entre população e instituições de segurança, uma vez que os canais comerciais e mesmo a televisão pública não cumpre este papel.

Diversos participantes se manifestaram sobre a organização da sociedade civil para o enfrentamento do problema da segurança como um princípio, associado a diversas ações, como a recriação das relações de vizinhança, o conhecimento e reconhecimento dos vizinhos e das pessoas estranhas que circulam pelas comunidades, o estabelecimento de uma relação mais aproximada e direta com os agentes de segurança que estão fazendo policiamento na região, a capacidade de acionar a polícia com outros canais que não o 190, e uma demanda de informação mais substantiva, de dados e fatos em vez de boatos e eventos isolados, tão ao gosto de nossa imprensa sensacionalista.

Uma participante defendeu uma proposta que, não sei dizer se de princípio ou diretriz, que me pareceu lugar comum, mas ela não parecia disposta a conversar sobre o que dizia. Aumento do salário dos profissionais de segurança pública, e instalação de Plano de Cargos, Carreiras e Salários, foi uma de suas propostas. Ela usou um jargão, largamente repetido e imensamente estúpido, perdoem minha franqueza, “o policial tem que ganhar mais que o ladrão”. Recordei-me do professor Welber da Silva Braga, cientista social da faculdade onde leciono, que estudava detentos. Um de seus pesquisados, hoje já falecido (assim como o professor) perguntou uma vez a ele: quanto você ganha? Ao ouvir a resposta direta e corajosa do Welber, ele respondeu: Que é isso professor... Você estudou tantos anos e só ganha esta mixaria? Não vale a pena. Por que não vem para o crime? E o detento começou a tentar recrutar o sociólogo, que recebia o salário de professor universitário federal com os respectivos incentivos de titulação. “Ganhar mais que o crime” não existe, afirmo, e precisamos abandonar os jargões. Os profissionais demandam um salário que lhes permita manter uma vida digna, como se ouvirá mais tarde de outro participante. O salário tem o poder de manutenção do profissional no seu posto e profissão, seu aviltamento causa insatisfação e problemas sociais, mas o mero aumento de salário é insuficiente para a grave questão da otimização das condições de trabalho. A remuneração indireta que os policiais militares percebem, como acesso a um sistema educacional e de saúde de qualidade, auxílio farmácia, serviços psicológicos para os policiais e família, entre outros, é algo a ser pensado a todos os profissionais de segurança. No caso do servidor público, o aumento salarial no valor da remuneração financeira não se faz sem um fenômeno curioso: o Estado dá e toma de volta, sob a forma de impostos, taxas e contribuições. Isto se torna um peso no orçamento público, que tem hoje um limite legal para pagamento salarial. Não me refiro aos salários aviltados, que existem em diversos níveis de qualificação, mas a esta idéia de que criar planos de cargos e salários é solução para o problema da otimização das condições de trabalho dos profissionais. Eu vi no grupo algo que havia lido na literatura: os gerentes pensam que sabem o que seus subordinados desejam, mas geralmente estão equivocados quanto à prioridade. Aproveito para falar da falácia dos planos de cargos. Já tive em mãos uma proposta indecente de plano de cargos e salários para o pessoal da saúde que foi resultado de uma negociação entre uma instância de estado governada por uma coalizão que se dizia preocupada com o social (bem, hoje todo político diz isto...). Confesso que fiquei escandalizado, porque o suposto plano era bastante achatadinho. Aumentos inferiores a três por cento do salário para progressões verticais, e um ou dois níveis de progressão. Isto não é um plano de cargos e salários, é um bônus, um aumentinho (como dizemos em Minas Gerais, é dar um tiquinho a mais) tendo por detrás um discurso perverso de negociação e conquista de categoria profissional. Não posso avaliar se o que ela dizia era fundamental para algumas categorias dos profissionais de saúde, com salário claramente aviltado, e que me perdoem eles pela minha interpretação se ela os ofende ou prejudica. Outros jargões lugar comum sucederam-se nesta fala: a do policial que protege João, Maria e José (possivelmente a classe média e alta), mas discrimina o trabalhador e o maltrata, etc. Quando me recordo dos recursos e eventos promovidos pela polícia para discussão de direitos humanos e policiamento comunitário, percebo que das duas uma: ou estes eventos não serviram para nada, ou a participante cometeu uma grande injustiça para com os esforços da polícia, baseada novamente em jargões dos anos oitenta e noventa. De qualquer forma, concordo com ela que é necessário fazer com que os diversos atores de segurança pública, não importa a cor, o status social, a religião e o sexo, saibam respeitar a cidadania, prevenir a criminalidade e reprimir o ato criminoso. Contudo, não sei como articular isto no eixo três, que é valorização e otimização das condições de trabalho...

Deixando de lado o discurso de palanque, fiquei francamente impressionado com a valorização e a demanda da qualificação profissional e da educação continuada, por parte dos participantes. Esta veio dos guardas patrimoniais que me explicaram uma singularidade do município de Betim: eles têm uma guarda patrimonial pública separada da guarda municipal e com atribuições diferenciadas. Esta demanda veio também dos profissionais que trabalham com programas preventivos. O que pude entender é que os recursos e esforços dos governos federal e estadual, mesmo o Fundo de Amparo ao Trabalhador, atingiram as instituições mais bem estruturadas (Polícia Militar e Polícia Civil), mas não chegaram às novas organizações de segurança neste município, muito menos aos programas preventivos.
Recordei-me de um pedido que veio até mim do pessoal da educação, que demandava qualificação de um programa de alto valor preventivo: o de apoio a espaços comunitários que promoviam atividades educacionais, esportivas e culturais no turno alternativo ao escolar para adolescentes. Eles não tiveram recursos para custear um treinamento voltado aos profissionais, mesmo usando a estrutura das instituições participantes para baratear a iniciativa e adotando conjuntamente estratégias para diminuir custos com os instrutores. Este evento corrobora a idéia de que há áreas privilegiadas nas gestões de estado, e elas estão mais ligadas à arrecadação de impostos, aquisição de artefatos e realização de obras visíveis, usadas depois como moeda de troca no competitivo jogo da política, que na silenciosa ação de promoção do cidadão e prevenção da doença, da marginalização e da perda da dignidade (espero não estar reproduzindo um jargão).

Um participante que se manifestava dando voz aos agentes penitenciários fez diversas demandas de melhoras de condições de trabalho (que também vejo mais como ações que como princípios e diretrizes) para esta categoria, trouxe a polêmica discussão do porte de armas, denunciou a prática de contratação no estado, demandando concursos públicos e solicitou, dentre outras coisas, acesso ao atendimento psicológico (perdoem se volto sempre a este ponto, não sei se foi efeito do discurso sobre a epidemia do medo ou cacoete do observador, que escreve a vocês e que é psicólogo). De qualquer forma, ele explicitou claramente algumas das necessidades a serem transformadas em ações atreladas ao princípio da ampliação da definição dos agentes de segurança pública.

Um participante relatou o conflito que ele, como cidadão, vive ante o imperativo da denúncia do ato criminoso e delituoso às autoridades. Mesmo com os programas de denúncia anônima e minha sugestão marota de fazê-la a partir de telefones públicos de outros municípios, ele continua temendo por sua integridade física. Das três uma: ou ele não confia na confidencialidade da denúncia anônima e teme um vazamento da informação, ou desconhece os mecanismos da denúncia anônima e se referia à denúncia identificada nos órgãos policiais, ou confirma a tese da epidemia do medo.

Permitam-me nomear a Sargento Vanessa, da Polícia Militar de Minas Gerais, que teve uma participação direta, objetiva e contributiva. Como princípio geral, ela propôs Dignidade. Um princípio amplo, pensei, mas que ela foi transformando não em diretrizes, mas em ações. Vanessa recordou que o batalhão da cidade existe formalmente, mas que suas instalações são precárias. Ele funciona na casa de um conhecido traficante, arrestada (acho que o termo jurídico é este) pela justiça, e como tal não tem condições necessárias ao trabalho, como banheiros femininos. Ela apontou também o problema dos turnos de trabalho, que serão uma de minhas próximas publicações no blog, especialmente o turno que compreende o trabalho noturno após as 23 horas, muito estudado na literatura. Apesar da boa vontade do comando, há uma grande dificuldade em articular o exercício da profissão com o estudo superior e a possibilidade de ascensão social pela educação pelas praças, pelo menos. Parte deste problema se deveria à extensão da jornada de trabalho. Melhoria das condições de trabalho, para eles, envolve, portanto, a jornada de trabalho de quarenta ou quarenta e quatro horas semanais, se compreendi bem o que ela falou. Outro problema levantado, talvez para o poder legislativo federal e estadual, foi a agilização do posicionamento do Brasil nos acordos internacionais referentes à segurança. Sem tempo para nos explicar detalhadamente, ela apontou um desacordo entre o nosso sistema normativo e a criação da demanda de adesão a acordos internacionais que chegou ao país talvez pela imprensa, mobilizando a opinião pública.

Concluindo, mesmo correndo o risco de estar omitindo por incapacidade de recordar, penso que a iniciativa da Prefeitura Municipal de Betim conseguiu atrair um público qualificado e inteligente, de diversos segmentos sociais, capaz de apontar problemas equacionáveis a partir de ações das três esferas do executivo.

Não posso fazer mais do que pedir publicamente que este debate não se transforme apenas em um pedaço de papel a ser enviado para o governo federal, mas que seja estudado atentamente pelas autoridades municipais para que já se iniciem ações emergentes, enquanto a política federal não vem....

sábado, 16 de maio de 2009

EFEITOS DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA - BETIM


Discutir com diversas pessoas sobre a “valorização e otimização das condições de trabalho” da segurança pública foi uma experiência muito rica. Isto aconteceu em Betim, na última sexta-feira.

Em um “aquecimento” apresentei alguns problemas que estão ao redor da questão da valorização do profissional de segurança pública, principalmente os que detêm poder de polícia:

A herança da ditadura, na qual a polícia, cumprindo o dever legal, teve um papel ordenador oriundo das autoridades auto-constituídas, que gerou um mal estar da sociedade como um todo.
O grave problema social brasileiro, que restringe a capacidade dos agentes policiais trabalharem com ações preventivas e não apenas repressivas, devido à fragilidade dos programas sociais de prefeituras, estados-membro e governo federal. Em outras palavras, para onde um policial pode encaminhar um jovem que está “quase caindo no crime, nas drogas ou na prostituição”? Certamente não será nas delegacias que se interromperá este ciclo descendente de grande parte de nossa população.
O crescimento desordenado e desenfreado de cidades pólo em diversas regiões, cujo poder público foi incapaz de criar condições de urbanidade e cidadania para um grande segmento da população. A formação de comunidades, popularmente conhecidas como favelas, habitadas em sua maioria por uma população com valores e princípios, pessoas admiráveis mesmo, mas também, pela falta de ruas, sistema de esgotos, água, etc., somada à situação de risco social de muitos de seus moradores, tornou-se um espaço privilegiado de recrutamento e operação da criminalidade, conceito que abrange desde pequenos delitos que vão sendo justificados ou considerados naturais pelos habitantes até a ocultação e legitimação do crime organizado, que estrutura suas “praças e bases de operação” neste cenário sem estado e com violência.
A banalização da violência, que entra portas adentro da família e que é agravada pela falta, pelo desemprego, pelo alcoolismo, pela desestruturação familiar (agradeço à participante que me fez recordar isto). Os casos de estupro, agressão física, assédio moral, exploração da infância, não são mais apenas um fenômeno da rua, como diria um antropólogo brasileiro famoso, mas também da casa.
Diante deste quadro, apesar da Polícia Militar ter um compromisso com o policiamento comunitário, este fica prejudicado pela falta de entendimento na corporação do que é isso, da dificuldade de acesso a muitas comunidades, da falta de um uso claro e sistemático por parte da inteligência policial de o que fazer com o que o novo agente policial aprende conversando com a população e com a epidemia de medo que faz com que grande parte da população fique dentro de suas casas e distante dos espaços públicos.
A epidemia do medo tem fragilizado as relações entre o sistema de segurança pública e a população. O cidadão não faz denúncia de atos delituosos que acontecem diante do seu nariz por medo, não usam os serviços de denúncia anônima por julgarem-no ineficaz, desocupam os espaços públicos e temem determinados lugares que vão sendo ocupados, mais por ausência que por falta de capacidade de enfrentamento e educação.
A resistência a este estado de coisas começa com situações simples como “janelas quebradas”, pixações e outros sinais que dão ao transeunte a impressão de terra sem lei, sem governo.
A epidemia do medo vem acompanhada da desconfiança. Desconfiança que gera um milhão de problemas adicionais. Os agentes policiais deixam de ser vistos como membros da população e as notícias popularescas pintam a todos como se fossem corruptos e truculentos. A população deixa de interagir com a polícia (coisa que era mal vista pelas autoridades policiais há trinta anos atrás) e o 190 se torna o único canal de comunicação entre autoridades de segurança e população, canal necessário mas incapaz de resolver os problemas deste cenário dantesco.
Valorização, portanto, das pessoas que estão ao redor da segurança pública é entender que elas são membros da sociedade, nossos vizinhos, nossos conhecidos, que uma vez deixado o trabalho se tornam membros da sociedade como quaisquer outros, e que, mais que tratados com desconfiança, devem ser respeitados como pessoas que trabalham honestamente, que escolheram uma missão difícil, são membros da sociedade e não um outro segmento. Entendo que devemos lembrar também que nós não apenas criamos e recriamos a polícia através de nossos representantes, como a demandamos sempre.
Valorização está associada à lógica de policiamento comunitário, que não exclui a inteligência policial, como lembrou um participante do evento. Policiamento comunitário é prevenção, identificação de causas de ocorrências similares em um mesmo espaço geográfico e estabelecimento de ações conjuntas com a população e de ações criativas para atuação na causa dos conjuntos de atos delituosos, e não apenas na tentativa de apuração de ocorrências.
Quanto às condições de trabalho, qualificação profissional, cuidados psicológicos, cuidados médicos, qualidade de vida são tão importantes, no caso da polícia, quanto armamento, computadores, algemas, coletes e outros instrumentos de trabalho. Trabalho noturno, trabalho em turnos alternados, jornadas extensas de trabalho, são questões que demandam ações epidemiológicas, de prevenção de doenças e promoção da saúde.
Um outro ponto que levantei, diz respeito à capacidade de alocação de recursos pelo estado. Nossa sociedade criou um mito, o de que somos milionários e não temos acesso aos serviços públicos de qualidade devido a roubo e corrupção. Muitos intelectuais que se debruçaram sobre a questão, como Wanderley Guilherme dos Santos, já apontaram para a fragilidade deste argumento. Não é dizer que não haja corrupção ou malversação de recursos, mas perceber que na maioria das gestões públicas os recursos são como leitos de procusto, insuficientes para a satisfação das necessidades da sociedade, o que exige sensatez nas escolhas e a realização de prioridades.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

ALÉM DA PSICOLOGIA DO TRABALHO


Leitor, perdoe a divulgação extra-muros de um livro multidisciplinar. As fronteiras do conhecimento são convenções e os autores são muito competentes.

Haase, V. G. Ferreira, F. O. & Penna, F. O. (Orgs.) (2009). Aspectos biopsicossociais da saúde na infância e adolescência. Belo Horizonte: COOPMED (ISBN: 978-85-7825-003-4).

ASPECTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS

Capítulo 1
Vaz, N. M. (2009).
Imunologia: uma história de redes e redescobertas.


Capítulo 2
Haase, V. G. (2009).
O enfoque biopsicossocial na saúde da criança e do adolescente.


ASPECTOS PSICOSSOCIAIS

Capítulo 3
Andrade, P. M. O., Ferreira, F. O. & Haase, V. G. (2009). A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) e o trabalho interdisciplinar no Sistema Único de Saúde (SUS).


Capítulo 4
Yoshihara, C. (2009). Qualidade de vida na infância.

Capítulo 5
Teodoro, M. L. M. (2009). Família, bem-estar e qualidade de vida de crianças e adolescentes.


Capítulo 6
Haase, V. G., Barreto, B. V. & Freitas, P. M. (2009). Adaptação psicossocial de famílias de crianças com transtornos do desenvolvimento.


Capítulo 7
Pinheiro-Chagas, P., Freitas, P. M. & Haase, V. G. (2009). O funcionamento psicossocial de crianças com paralisia cerebral conforme a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF-OMS).


Capítulo 8
Morais, N. A. & Koller, S. H. (2009). Aspectos biopsicossociais da saúde de crianças e adolescentes em situação de rua.

Capítulo 9
Brandão, C. A. L. (2009). Habitabilidade e bem-estar.


PSICOPATOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO

Capítulo 10
Oswald, S. H., Käppler, C. O. & Rohde, L. A. P. (2009). Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade – TDAH.


Capítulo 11
Alvarenga, M. A. S., Alves, M. M. & Franco, F. M. (2009). O desenvolvimento das dimensões antisociais da personalidade.

Capítulo 12
Kristensen, C. H. (2009). Transtorno de estresse pós-traumático.

Capítulo 13
Ferreira, R. A. (2009). Anorexia nervosa e bulimia nervosa.

Capítulo 14
Vieira, E. C. (2009). Obesidade infantil.



ASPECTOS NEUROPSICOLÓGICOS

Capítulo 15
Haase, V. G. (2009). Neuropsicologia do desenvolvimento: um enfoque clinico.


Capítulo 16
Bosa, C. A. (2009). Compreendendo a evolução da comunicação no bebê: implicações para o diagnóstico precoce do autismo.

Capítulo 17
Rothe-Neves, R. & Vitor, R. M. (2009). Desenvolvimento da linguagem e procedimentos de avaliação.



Capítulo 18
Salles, J. F. & Parente, M. A. P. (2009). As dificuldades de leitura e escrita em crianças/adolescentes: abordagem neuropsicológica cognitiva.

Capítulo 19
Magalhães, L. C. (2009). O transtorno do desenvolvimento da coordenação: aspectos motores e conseqüências psicossociais.

Capítulo 20
Natale, L. L. & Haase, V. G. (2009). Desenvolvimento das funções executivas na infância.

Capítulo 21
Palmini, A. (2009). “To do or not to do”? O cérebro e a tomada de decisões.

ASPECTOS GENÉTICOS
Capítulo 22
Carvalho, M. R. S., Santos, L. L., Peixoto, M. G. C. D. & Haase, V. G. (2009). Para melhor compreensão da base genética das doenças.

Capítulo 23
Aguiar, M. J. B. (2009). Aconselhamento genético.

MODELOS E PRÁTICAS DE INTERVENÇÃO

Capítulo 24
Rodrigues, A. M. V. & Faria, I. (2009). Tecnologia assistiva e qualidade de vida na infância e adolescência.

Capítulo 25
Del Prette, A. & Del Prette, Z. (2009). Adolescência e fatores de risco: a importância das habilidades sociais educativas.

Capítulo 26
Pinheiro, M. I. S., Del Prette, A. & Del Prette, G. (2009). Crianças com problemas de comportamento: uma proposta de intervenção via treinamento em grupo de pais.

Capítulo 27
Ferreira, F. O. (2009). Problemas de aprendizagem: análise crítica das perspectivas culturalista e evolucionista.

Capítulo 28
Albinati, M. E. C. B. (2009). Arte em saúde da criança e do adolescente.

ASPECTOS ÉTICOS
Capítulo 29
Mota, J. A. C., Nehmy, R. M. Q. & Costa, M. A. (2009). A humanização da assistência: humanizando o que é mais do que humano, o direito à saúde e ao bem-estar.

Capítulo 30
Käppler, C. O., Gonçalves, M., Borges, M. & Koller, S. H. (2009). Direitos da criança – conhecimentos de estudantes e profissionais de saúde mental da infância e adolescência no Brasil e em Portugal.

Capítulo 31
Haase, V. G. (2009). O desenvolvimento humano como busca de felicidade.

Capítulo 32
Libânio, J. B. (2009). Condição humana e felicidade.

domingo, 10 de maio de 2009

UFMG LANÇA EDITAL DE CONCURSO PÚBLICO


Figura 1: Espero que a prova não seja assim!


terça-feira, 5 de maio de 2009, às 18h31


Está disponível no site da UFMG
edital de concurso público para preenchimento de cargos técnicos e administrativos da instituição. Serão contratados 126 servidores em Belo Horizonte e 12 em Montes Claros, em diversos níveis de escolaridade. Os cargos, o regime de trabalho, as descrições de suas atribuições e os requisitos básicos para candidatura são informados no edital.
As inscrições deverão ser realizadas no
site da UFMG, de 8 a 26 de junho. A taxa varia de acordo com a vaga pretendida. Inscrições para os cargos de nível E (superior) custam R$ 43,70, para os de nível D (ensino médio), R$ 34,00, e para os de nível C (ensino fundamental), R$ 28,50. A isenção de taxa poderá ser requerida, entre 8 e 12 de junho, por candidatos oriundos de família de baixa renda. Para tanto, deverá ser informado, no ato da inscrição, o Número de Identificação Social (NIS) atribuído pelo Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
As provas serão realizadas no dia 30 de agosto. O local e o horário ainda não foram definidos e serão divulgados no comprovante definitivo de inscrição, que estará à disposição dos candidatos a partir de 30 de julho, no site da UFMG.

sábado, 9 de maio de 2009

CONFERÊNCIA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA EM BETIM





O município de Betim está sediando a I Conferência Nacional de Segurança Pública, que trata de temas relacionados à segurança diretamente com a população local.
O escritor do blog fala na sexta feira.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

PUBLICADO O ARTIGO SOBRE MASLOW


A Revista de Administração da USP - RAUSP número 1 de 2009 (jan/mar) publicou o artigo sobre a teoria de motivação em Maslow. Ele apresenta as mudanças que o autor americano foi realizando em sua teoria após os anos 40 e uma série de críticas e novas pesquisas com metodologias diferenciadas.

Espera-se com ele um novo olhar sobre o autor e o tema, em baixa no Brasil mas em alta no exterior.

Está no "forno" um novo artigo que propõe um modelo de pesquisa que articula motivação (nível do sujeito) e cultura (nível da sociedade) e que incorpora contribuições de dois autores prolíficos da área: David McClelland e Joseph Nuttin (belga de Louvain).

Desejo a todos uma boa leitura e aguardo os comentários.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

BEABÁ DA UNIVERSIDADE: COLEGIADO DE CURSO


Figura 1: Reunião?
Qual é o papel de um colegiado de curso?

No estatudo da Universidade Federal de Minas Gerais, encontra-se com clareza as atribuições de um Colegiado de Curso. Veja o link http://www.ufmg.br/conheca/informes/ia_estatuto.html#tit4cap2 especialmente o artigo 54. Leia também o regimento, http://www.ufmg.br/conheca/informes/ia_reg_atual.html , especialmente o título II.

Quem teve a paciência de ler, viu que o colegiado de curso não é um órgão meramente executivo, mas tem funções legislativas e de judiciárias.

Por que se criou na Universidade Colegiados de Curso e Câmaras de Departamentos (ou Congregações, nos casos em que as unidades não desejem departamentalizar-se)?

Por diversas razões, mas por uma razão muito clara: porque pode haver conflito de interesses entre departamentos e cursos.

Quando era aluno de graduação, um departamento do Instituto de Ciências Biológicas desejava reduzir a oferta de uma disciplina que funcionava de manhã e de tarde para um turno apenas e dobrar o número de alunos na sala. Era interessante para um departamento que desejava reduzir a carga horária de professores em um curso-cliente (se me permitem dizer assim). Votaram e aprovaram em reunião de Câmara. O que aconteceu? Foi indeferido pelo Colegiado de Graduação em Psicologia porque prejudicava os alunos e ia contra a decisão de se manter duas turmas nos turnos matutino e vespertino. A decisão prejudicava outras disciplinas e a matrícula dos alunos, em tempos de currículo seriado.

Claro que deu conflito. O Departamento não aceitava e o Colegiado não cedia. A PROGRAD intermediou e quem venceu a justa? O Colegiado de curso, é claro.

Como há conflitos de interesse, os cursos mantém órgãos colegiados representativos de todos os departamentos (representados por professores) e de representantes de alunos. Estes órgãos possibilitam voz e voto aos envolvidos, e cabe aos colegiados arbitrar pelo que é melhor para a formação dos alunos, ou seja, para o curso.

Alguns cursos têm uma peculiaridade que enfraquece os colegiados de graduação. Se grande parte das disciplinas estiver lotada em um só departamento, ele praticamente tem poder de controle sobre o órgão e de coerção sobre a maioria dos membros.

Na prática, mesmo com membros idôneos, o Departamento tem um grande poder coercitivo sobre o colegiado, porque ele indica os representantes que formam maioria no colegiado de curso. Isto vai de encontro às razões que levaram à criação desta estrutura organizacional.

Como se pode ver é uma situação muito grave.

Imaginem, por exemplo, um Departamento que pressione seus representantes a abandonarem seus mandatos em decorrência do conflito de interesses. Como os representantes, na sua vida acadêmica, estão sob as decisões da câmara departamental, quais seriam as retaliações possíveis a uma "desobediência" aos interesses deste órgão? São inúmeras. Indeferimento de pedidos, engavetamento de processos, rigor desmedido na avaliação, e muitas outras coisas inimagináveis em um estado democrático de direito.

Imaginem um Departamento que escolha um Coordenador (que deveria ser escolhido dentre os membros do órgão). Ele não seria uma espécie de interventor, algo semelhante ao que fazia o governo federal dos "anos de chumbo"?

Imaginem um Coordenador que revogasse resoluções votadas pelo órgão sem consultar os membros, sem convocar reuniões...

Imaginem uma reforma curricular em que cada professor dissesse o que deseja ensinar, com base apenas nos seus projetos de pesquisa e interesses pessoais? Uma espécie de pacto corrupto de cavalheiros, sem a preocupação com a formação do profissional e do cidadão, prerrogativas básicas de um curso superior de qualidade.

Penso que as instituições universitárias precisam pensar em alternativas a este estado de coisas. Um departamento não pode controlar um colegiado de curso.

sábado, 4 de abril de 2009

CONFERÊNCIAS ERRAMOS. JUNGUIANOS NÔMADES

Fui convidado para apresentar o trabalho "Entre a luz e a escuridão: satisfação, desligamento e sofrimento de trabalhadores voluntários espíritas" no encontro dos junguianos nômades. Quem são junguianos nômades? Leia abaixo o texto da organização do evento. Estudantes, não se esqueçam de ler o último parágrafo desta publicação.




"Qual é o papel do erro na psicoterapia? O que nós, terapeutas, candidatos a psicoterapeutas e pacientes temos a aprender com os erros que acontecem dentro e fora do setting terapêutico? Por que os eventos sobre psicologia, análise e psicoterapia falam tanto dos acertos e tão pouco dos erros? Por que é tão difícil falar do erro? O que esse ato oculta? Como nós terapeutas e pacientes lidamos com o fracasso na psicoterapia?

É sobre esses e outros temas que estaremos debruçados no III Encontro de Junguianos Nômades, programado para os dias 12, 13 e 14 de junho de 2009 em Belo Horizonte (MG) e que terá como título “Conferências de Erramos! Erro, Fracasso e Errância na Psicoterapia”.

Esse título comporta um duplo trocadilho. O erro se coloca ao lado de um topônimo caro aos junguianos: Eranos (encontro realizado por iniciativa de Olga Fröbe-Kapteyn, desde 1933 na Suíça, em Ascona-Moscia, onde Jung e algumas das mentes mais brilhantes do século XX proferiam conferências que esboçaram parte de suas idéias seminais) e errância (parte da condição pós-moderna, onde a não fixação absoluta a uma postura, um papel ou afiliação é evidente).

A idéia de errância relaciona-se intimamente à proposta do Nomadismo desenvolvido por Maffesoli e que serviu de inspiração para designar aos participantes desses eventos. Para Maffesoli[1], o nomadismo é a “tendência de uma época que, por uma volta cíclica de valores esquecidos, se liga à contemplação daquilo que é”. Nas palavras de Liberato[2], um reinício da “circulação” que atravessa a vida cotidiana após todo o fechamento praticado durante a modernidade.A “Sede do Infinito” dos Nômades, Junguianos ou não, os põe em busca de outros conhecimentos, de outros diálogos, de outros sentidos e de outros significados para além dos óbvios teóricos, das opiniões estabelecidas, das crenças aferradas ao senso-comum e das ortodoxias institucionais. Para Maffesoli a errância é o modus operandi do Nomadismo a chave que permite a abordagem do “pluralismo estrutural dado pela pluralidade de facetas do ‘eu’ e do conjunto social. E também um modo de vivê-lo”. Para nós, essa idéia é cara. O “êxtase” da errância permite-nos escapar, simultaneamente, ao fechamento sobre nós mesmos e à obrigação da resistência junto aos bastiões científicos, profissionais e sociais onde se refugiam os “partidos” e “facções” em permanente guerra.

Nos campos da Clínica Junguiana e para a sub-disciplina acadêmica dos Estudos Junguianos a pluralidade de valores e a pluralidade de papéis conduzem a um politeísmo de valores fundamental para que possamos experimentar, simultâneamente, a aproximação e o distanciamento crítico sugeridos por Samuels[1] como absolutamente necessários a uma exploração atual do legado de Jung.

A idéia dos Encontros de Junguianos Nômades reveste-se do simbolismo da peregrinação (do Latim, per agros, ir pelos campos): jornada realizada, desde os tempos mais remotos, motivada por alguma coisa ou em busca de alguma coisa e que possuí um sentido e um valor em aberto, pronto a ser acrescentado por cada pessoa que a executa.

Utilizando com certa liberdade a leitura de Liberato[2]: que o politeísmo de valores, causa e efeito de uma vida errante, conduza os que se sentirem motivados a participar conosco dessa jornada uma oportunidade para o encantamento pessoal e o re-encantamento do mundo! "

[1] Samuels, A. Jung and the Post-Jungians. London and Boston, Routledge & Kegan Paul, 1985.
[2] LIBERATO, L. V. M. op cit.
[1] MAFFESOLI, Michel. Sobre o Nomadismo: vagabundagens pós-modernas, Rio de Janeiro, Record, 2001, p. 28.
[2] LIBERATO, L. V. M. Nomadismo Pos-Moderno. Politica & Sociedade, Florianopolis, v. 1, p. 225-234, 2002.

PARTICIPAÇÕES CONFIRMADAS:
Carlos Bernardi, Dr (Rio de Janeiro)
Cláudio Paixão Anastácio de Paula, Dr. (Belo Horizonte)
Henrique Pereira, Dr. (Rio de Janeiro)
Guilherme Scandiucci, Ms. (São Paulo)
Jader dos Reis Sampaio, Dr. (Belo Horizonte)
Marco Heleno Barreto, Dr. (Belo Horizonte)
Paulo Bonfatti, Dr. (Juiz de Fora)
Walter Melo, Dr. (São João Del Rey)

SOBRE O LOCAL DE REALIZAÇÃO, CUSTOS DE ALIMENTAÇÃO E HOSPEDAGEM (PENSÃO COMPLETA)
LOCAL: O evento acontecerá no mesmo local onde ele foi realizado pela primeira vez... O CASA DE RETIROS SÃO JOSÉ em Belo Horizonte, MG (http://www.provinciadorio.org.br/retiro/crsj.htm ). A Casa de Retiros São José fica numa área de 45.000m2 de área verde preservados dentro de Belo Horizonte. Possui instalações planejadas num estilo simples e com decoração clássica e confortável; um projeto paisagístico (quiosques, trilhas e jardins) que proporciona aos seus hóspedes belos momentos de interação e harmonia com a natureza; toda a estrutura e assessoria para eventos, inclusive, qualidade no atendimento e segurança em suas dependências; acomodações para até 193 convidados; auditório estruturado para 400 pessoas e salas de reunião para 100 pessoas. Além disso, a Casa oferece em restaurante refeições da culinária mineira típica, preparada com ingredientes de sua própria horta orgânica.

ENDEREÇO:
Avenida Itaú 475 – Dom Bosco
CEP: 30730-280
Belo Horizonte – MG
Fone: (31) 3411-5040
Fax: (31) 3411-4813
E-mail: crsj_bh@yahoo.com.br

MODALIDADES DE PARTICIPAÇÃO:

A – Modalidade Almoço: inclui lanche da manhã, almoço e lanche da tarde – R$ 70,00 (R$ 35,00 por dia)
B – Modalidade Almoço e Jantar: inclui lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar – R$ 90,00 (R$ 45,00 por dia)
C – Modalidade Hospedagem Quarto Duplo: Valor da Hospedagem PARA O FIM-DE-SEMANA INTEIRO com Pensão Completa: R$140,00
D – Modalidade Hospedagem Quarto Individual: Valor da Hospedagem PARA O FIM-DE-SEMANA INTEIRO com Pensão Completa: R$180,00
NOTA INFORMATIVA – REGULAMENTO DE GRATUIDADE PARA ESTUDANTES:
A “Casa de Retiros São José” não aluga o auditório. Ela cede o espaço para que faz as atividades lá desde que as pessoas: ou se hospedem ou, pelo menos, façam as refeições no local. Dessa forma para que os estudantes participem GRATUITAMENTE eles terão que optar por uma das quatro alternativas citadas acima A,B,C OU D. Esta é portanto uma condição irrevogável para que o estudante possa gozar desse benefício!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

PROFISSÕES DO FUTURO

Figura 1: Capa do livro-DVD
O atual diretor do Institudo de Estudos Avançados Transdisciplinares publicou através da Editora UFMG um livro-dvd que trata das novas interconexões que o conhecimento e a tecnologia tem estabelecido na sociedade moderna.
Na primeira parte ele faz com uma linguagem direta e objetiva uma discussão polêmica sobre o papel da universidade pública contemporânea. Oportuna, ela tira do inconsciente institucional alguns valores que têm, na prática, regido as políticas universitárias, como a valorização da pesquisa de ponta, o destaque à pós stricto sensu em detrimento da graduação e a criação de novas possibilidades de articulação flexível das áreas e saberes da graduação.
O autor chega a afirmar que "não seria mais competência prioritária dessa universidade (a universidade pública), salvo melhor juízo, voltar-se para atender o mercado profissional naquilo que ele pode ser contemplado por qualificadas escolas técnicas e faculdades privadas de ensino superior."
Não sei se tenho um juízo melhor, mas ao contrário da corrente atual, entendo que a graduação ainda é o espaço acadêmico de maior conexão com a sociedade que possibilita a existência da universidade pública. A graduação de uma instuição pública de ensino superior tem inúmeras possibilidades que a lógica do capital inviabiliza, pode preocupar-se na formação de profissionais diferenciados, mas não cumprirá seu papel se não se preocupar, curso a curso, com a formação técnico-profissional do seu aluno.
Um dos dilemas da universidade pública reside na possibilidade de se transformar algo fundamental como a autonomia universitária em uma ditadura dos desejos individuais do seu corpo docente. Uma vez ouvi um colega dizer a outro que ele "não seria nada" se não se vinculasse à pós stricto sensu, não conseguisse parceria com os órgãos de fomento e não estabelecesse uma linha regular de pesquisas.
O mais curioso é que a pós se alimenta de discentes que passaram quatro ou cinco anos em formação se considerarmos apenas a graduação. O que posso entender é que continuamos um país de elites de conhecimento, e uma universidade que desvaloriza o fundamento, a base, as origens. Afinal, sempre será possível escolher o diferenciado.
De volta ao livro-dvd, Carlos se detém nas novas competências relacionadas à transdisciplinaridade, e desenvolve um texto instigante e desafiador para todos os que trabalhamos com a educação. Ele propõe uma inversão da lógica geralmente utilizada na formação, que vai do geral para o específico. "... dar formação disciplinar especializada nos primeiros anos e oferecermos, nos anos seguintes, um bacharelado ou pós-graduação transdisciplinar que permitisse ao profissional entrar em contato com outros campos do saber". Esta idéia merece ser melhor desenvolvida e, ao contrário do que possa parecer, não é diletantismo acadêmico, mas uma semente do novo.
Brandão, refletindo o pensamento do IEAT, defende que se articule um pensar complexo, global e transdisciplinar com uma ação local e criativa. Esta posição faz o leitor pensar, e ao mesmo tempo sugerir uma nova publicação que especule e apresente experiências concretas do "como fazer".
Como o blog é um espaço de leitura rápida, vou deixar ao leitor um gostinho de quero mais, que só se obtém lendo o livro e assistindo o DVD. A segunda parte do livro traz 81 possibilidades de novas profissões. A leitura é instigante e demonstra muita imaginação concreta, muito diálogo entre áreas diferentes. Senti-me relendo um romance de Júlio Verne, apesar de serem textos de explicações rápidas sobre as idéias.
Ainda não pude assistir ao DVD, mas deixo ao leitor do blog a tarefa de comentá-lo...

quinta-feira, 26 de março de 2009

SEMINÁRIO SOBRE COMPETÊNCIAS EM MINAS GERAIS


Está sendo promovido na Faculdade de Ciências Humanas da UFMG o IV Workshop de Gestão de Competências em Organizações. Programem-se.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Assédio Moral: Você sabe o que é?

Figura 1: Imagem do Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos Bancários de Florianópolis

Li um trabalho de conclusão de curso de tecnólogo em RH de João Sérgio de Castro Tarciano e Cerise Dias Guimarães, apresentado na Estácio de Juiz de Fora. Eles fazem uma revisão de literatura sobre o tema assédio moral e foram muito claros e felizes ao tratar do tema.

Sua principal referência é a francesa Marie-France Hirigoyen, mas fizeram uma boa revisão dos estudos feitos no Brasil sobre o tema.

Para dar um gostinho ao leitor, repasso algumas informações do trabalho:

O conceito de Hirigoyen foi adotado: "toda e qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude...) que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou a integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho."

Eles destacaram quatro elementos observados pelo sistema jurídico brasileiro para caracterizar o assédio:

a) "A intensidade da violência psicológica" (não é uma vivência subjetiva, que só a pessoa que se sente vítima observa)
b) "O prolongamento no tempo" (não é um ato isolado)
c) A intenção de ocasionar dano psíquico ou moral ao empregado para marginalizá-lo em seu ambiente de trabalho.
d) A conversão, em patologia, em enfermidade que pressupõe diagnóstico clínico dos danos psíquicos.

Citando Hirigoyen os autores listam as principais atitudes do assédio moral: atitudes que deterioram as condições de trabalho, atitudes que geram isolamento e recusa de comunicação, atitudes que geram atentado contra a dignidade e violência verbal, física ou sexual.

Citando Margarida Barreto, médica do trabalho, eles apresentam situações mais verificadas de assédio moral:

Dar instruções confusas e imprecisas 65%
O bloqueio ao trabalho e a atribuição de erros imaginários 61%
Ignorar a presença de funcionário na frente de outros 55%
Pedir trabalhos urgentes sem necessidade 49%
Mandar o trabalhador realizar tarefas abaixo de sua capacidade profissional,
fazer comentários maldosos em público 41%
Não cumprimentar 38%
Impor horários injustificados ou forçar o trabalhador a pedir demissão 35%
Impedir o trabalhador de almoçar ou conversar com um colega, disseminando
boatos que desvalorizam e desqualificam profissional e pessoalmente; retirar
o material necessário à execução do trabalho (fax, computador, telefone),
isolando-o do convívio com os colegas 33%

A seguir os autores distinguem o assédio de outros problemas similares (estresse, conflito no trabalho, gestão por injúria, agressões pontuais, más condições de trabalho e imposições do trabalho)

Eles apresentam perfis de pessoas vítimas de assédio moral, fonte de pesquisa, listam resultados na organização que convive com assédio e propõem ações preventivas.

Para quem se interessou, é um trabalho de fácil leitura, com 47 páginas, bem escrito. Dá para ler em pouco tempo e está bem referenciado. Acesso na internet: http://www.assediomoral.org/IMG/pdf/assedio_moral_no_trabalho_no_ambiente_de_trabalho.pdf