segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Seleção e Concurso Público: Estamos no Século XIX?

Figura 1: Sir Arthur Conan Doyle
Não é preciso uma vasta revisão bibliográfica para perceber que a avaliação psicológica de um candidato à seleção é diferente da mesma avaliação de um cliente para a clínica. O candidato quer sempre mostrar sua melhor performance, especialmente se a admissão depender dela. Mesmo que o psicólogo saiba, através de estudos, que determinadas características estão associadas ao bom desempenho ou que com elas dificilmente um candidato conseguirá fazer o que lhe é exigido na organização, a mentalidade de quem é avaliado é (e será sempre) a de querer ser admitido.
Um caso curioso é o do serviço público. O legislador da constituição de 1988 exigiu a realização de concurso público para a admissão dos futuros servidores e o definiu como um exame de provas e títulos. Por provas, o judiciário aceita provas de conhecimento, o que deixa de lado a avaliação de outras características psicológicas do candidato.
Uma exceção a este entendimento é o concurso público nos meios militares. O legislador entende que, como se trata de uma atividade específica, o edital pode especificar outros critérios de seleção.
A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar, cientes das limitações da proposta de avaliação da constituição, há muitos anos incluiu técnicas psicológicas, de avaliação física e outras no seu processo seletivo.
Como resultado, os candidatos tentam "preparar-se" para esta avaliação.
A última que ouvi, uma vez que os testes são padronizados, é decorar uma música com as letras das respostas de um dos testes de inteligência, que é aplicado em sua versão de lápis e papel. Será verdade?
Verdade ou não, se os psicólogos desejam preservar sua credibilidade e confiar nos métodos de avaliação empregados já deveriam ter utilizado as conquistas da modernidade para evitar este tipo de truque (ou abandonar o uso da técnica no concurso público).
O que pode ser feito?
1. Fazer a aplicação dos testes em terminais de computador (até os exames de proficiência de língua estrangeira já fazem isto..)
2. Formular itens paralelos (diversos deles) com alto grau de correlação, referentes à mesma habilidade em análise, com o mesmo grau de dificuldade. Isto já existe (formas A e B de testes, por exemplo)
3. Programar o computador para selecionar itens aleatoriamente e para embaralhar as respostas de um mesmo item, criando assim "n" formas de um mesmo teste psicológico, de inteligência, por exemplo.
4. Validar a fidedignidade do novo tipo de instrumento (empregando técnicas estatísticas que já foram desenvolvidas há mais de 100 anos, ou utilizando técnicas de associação de estatística multivariada).
Por que continuamos fingindo que não vemos estes pequenos problemas, tão facilmente contornáveis? Como sustentar o resultado do emprego da técnica em juízo? Por que não se fazem estudos de validação preditiva, indispensáveis à sustentação da avaliação psicológica ante qualquer demanda (muito justa) do candidato?
Teremos que aguardar a aprovação de uma lei de iguais oportunidades de emprego, aos moldes da legislação norte-americana?

sábado, 4 de outubro de 2008

Toda Assistência é um Assistencialismo?


Para o Dicionário Eletrônico Houaiss

Assistência social: conjunto das medidas através das quais o Estado (ou entidades não governamentais) procura atender às pessoas que não dispõem de meios para fazer frente a certas necessidades, como alimentação, creches, serviços de saúde, atendimento à maternidade, à infância, a menores, velhos etc.; serviço social

Assistencialismo: 1 soc doutrina, sistema ou prática (individual, grupal, estatal, social) que preconiza e/ou organiza e presta assistência a membros carentes ou necessitados de uma comunidade, nacional ou mesmo internacional, em detrimento de uma política que os tire da condição de carentes e necessitados 2 pol pej. sistema ou prática que se baseia no aliciamento político das classes menos privilegiadas através de uma encenação de assistência social a elas; populismo assistencial

As organizações de terceiro setor fazem assistencialismo? Os governos fazem assistência? A esquerda faz solidariedade? A direita faz populismo? O que é jargão e o que é realidade social?

Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares promove evento


sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Empresa Júnior da UFMG Promove Evento

A RH Consultoria JR está promovendo um evento de palestras e debates com especialistas em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Confira!