quinta-feira, 10 de julho de 2008

Qualidade de Vida no Trabalho (e a sua falta)



Figura 1: Vista lateral do Prédio da Reitoria da UFMG



Dois jovens servidores, Arthur e Isa, cursando a especialização em administração pública, propuseram-me orientá-los sobre a qualidade de vida no trabalho do servidor técnico-científico da UFMG.

Revisão de teorias: após avaliar cerca de quatro teorias sobre o tema, optamos pela adaptação do modelo de Walton ao serviço público universitário.

Metodologia: Um questionário, desenvolvido a partir das categorias de Walton, para três segmentos na UFMG: unidades acadêmicas, unidades administrativas e o Hospital das Clínicas

Respondentes: 516, de uma população de cerca de 4800 servidores

Alguns Resultados:

a) Clara insatisfação com a remuneração, que à época estava abaixo da praticada no mercado uns 35 a 40%, dependendo do nível.

b) Diferença de remuneração entre docentes e servidores com a mesma titulação de ingresso, da ordem de 35 %

c) Enorme diferença entre o salário dos servidores do judiciário/legislativo e o dos servidores universitários, mesmo os que ocupam cargos equivalentes.

d) 80% dos servidores realiza seu trabalho dentro da jornada de trabalho (os menos agraciados com este direito são os de nível superior)

e) Muitas queixas com relação ao ambiente físico (o que se agrava no Hospital das Clínicas)

f) Menos da metade dos servidores consideram ter os equipamentos necessários para a realização de suas atividades (44%). Verificou-se disponibilidade e qualidade.

g) Independência e liberdade para execução de suas atividades

h) Disponibilidade total ou parcial de informações necessárias para a realização das atividades

i) Há definição setorial de prioridades e objetivos a serem atingidos.

j) Não se vê oportunidade de crescimento profissional

l) Consideram que a Universidade não tem um programa de capacitação ou treinamento e/ou que os que existem são ineficientes.

m) Queixa de existência de preconceitos entre o segmento professores e o servidores técnico-adminsitrativos (70% dos servidores)

n) Há confiança nas informações fornecidas via institucional

o) Dois terços dizem que têm liberdade de expressão de pensamentos e sentimentos (um número um pouco menor no Hospital das Clínicas).

p) As atividades realizadas na UFMG não afeta a vida fora do trabalho dos servidores

q) 85% dos servidores consideram o trabalho da UFMG reconhecido socialmente


A pesquisa aconteceu em 1997. Passados 11 anos, já passou da hora de fazermos outra.
O que se vê é um somatório de altos e baixos. Há satisfação e insatisfação, não havendo qualquer sentido em se criar um índice de satisfação no trabalho genérico. Este tipo de pesquisa auxilia os gestores a pensarem em políticas de pessoal.
Este relatório completo se encontra na biblioteca da Fundação João Pinheiro e um artigo referente do mesmo está no livro "Qualidade de Vida no Trabalho e Psicologia Social", publicado pela Casa do Psicólogo e organizado por quem escreve a você.



Figura 2: Capa do "Qualidade de Vida no Trabalho e Psicologia Social

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