quinta-feira, 10 de julho de 2008

Bion e a Dinâmica de Grupos



Alguns pesquisadores têm idéias tão geniais que fazem pesquisas que rompem com todos os paradigmas estabelecidos. Esta foi a impressão que tive durante a minha incursão pouco autorizada no universo literário de Bion.
Bion foi um psiquiatra que enveredou pela psicanálise, pela filosofia e foi andando...
Ele trabalhou com o que denominou "grupos de trabalho", que se parece muito com o conceito de equipes ou times, que utilizamos nas organizações nos dias de hoje. Como tinha "olho clínico", não lhe escaparam os sofrimentos das pessoas nestes grupos.
No pós-guerra, Bion resolveu pesquisar no Instituto Tavistock fenômenos inconscientes coletivos. O que o pesquisador entrevia era a possibilidade de existirem fenômenos de grupo influenciados pelo simples fato de as pessoas se assentarem em grupo, e que elas não perceberiam facilmente.
Para pesquisar isto, ele fez um design de pesquisa infernal: convocou voluntários a participarem, marcou um horário e ficou em silêncio, esperando para ver como reagiam ante a total ausência de diretividade. Imagino o incômodo dos participantes...
Deste trabalho ele identificou três grandes grupos de "impulsos" ou tendências que surgiam nos grupos. Descreveu-os e nos legou um conhecimento curioso: mesmo em um grupo de trabalho, as metas, objetivos e o comportamento acordado entre os membros é entrecortado por estas tendências, que afastariam o grupo de sua finalidade, alterando a participação de seus membros.
Publiquei na "Psicologia USP" um estudo mais detalhado sobre esta questão, um pouco didático, que se tornou muito procurado e reproduzido na internet. Uma espécie de "best seller" no qual não se vende nada, nem se ganha dinheiro, para minha ambivalente alegria/tristeza.
Os interessados podem acessar gratuitamente o site do Scielo:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642002000200015
Boa leitura.

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