quarta-feira, 30 de abril de 2008

Qual é a sua escola psicológica?

Esta pergunta é feita por nove entre dez estudantes que conversam conosco. Normalmente se estudam escolas e sistemas psicológicos nos primeiros períodos do curso, às vezes de forma aguerrida, e se inicia uma troca de provocações entre simpatizantes de certos conhecimentos psicológicos. Há polarizações muito comuns, entre behavioristas e psicanalistas, por exemplo.

Já ouvi de professores que a Psicologia do Trabalho é uma mera aplicação dos princípios teóricos de uma escola psicológica. Nada mais ingênuo.

O medo de se constituir um conhecimento meramente empírico, sem reflexão teórica, levou uma grande amiga minha a defender a idéia de que a Psicologia Social é a teoria de base da Psicologia do Trabalho (qual das psicologias sociais, mesmo?)

Fiz uma pesquisa procurando identificar orientações teóricas e propostas de ação de autores diversos da Psicologia do Trabalho ao longo do século XX. Minha convicção é que a Psicologia do Trabalho não é uma teoria universal, destacada das teorias em conflito do campo maior chamado Psicologia. Não é uma mera aplicação da Psicologia. Se podemos delimitá-la de alguma forma, é melhor partir de seu objeto, ou seja, dos sujeitos e sujeitados que estudamos, pessoas que trabalham, como bem argumentou uma outra colega.

Posto este foco, há que se aceitar estas pessoas como indivíduos e como membros de organizações e instituições, inseridas em culturas, sujeitas a movimentos econômicos, socializadas em categorias sócio-profissionais, portadoras de uma vida íntima dentro e fora do trabalho que não se cindem, simplesmente.

Assim, pode-se dizer algo sobre o homem que trabalha se se privilegiar a análise de fenômenos inconscientes. Pode-se apreender regularidades próprias e comuns às pessoas de uma dada ocupação. Pode-se tentar identificar a prevalência de transtornos mentais em uma certa organização ou ocupação. Pode-se entender o nexo entre a economia e o sofrimento/prazer destas pessoas. Há como analisar as relações hierárquicas e horizontais entre pessoas. Enfim, um mesmo objeto (sujeito) e muitas visões construídas a partir de abordagens metodológicas diferentes.

Por esta razão tenho defendido que a Psicologia do Trabalho é um campo transdisciplinar que desenvolve teorias nem sempre universais, às vezes tópicas, no esforço da compreensão e explicação dos fenômenos que envolvem o homem que trabalha.

domingo, 27 de abril de 2008

Porque Escrever sobre Psicologia do Trabalho?

Foto 1: Jáder versão 2007

Durante mais de dezoito anos tenho me dedicado a estudar as muitas visões e experiências do mundo do trabalho. Publiquei muitos trabalhos, organizei livros, participei de congressos, atendi a convites de universidades, auxiliei organizações a pensarem e buscarem soluções para alguns de seus problemas, auxiliei trabalhadores, participei de eventos em sindicatos, visitei incubadoras de empresas e mais recentemente enveredei pelos campos do trabalho voluntário e das organizações sem fins lucrativos. Neste meio tempo fiz muitos amigos, tive muitos parceiros, vivi algumas alegrias, chorei algumas lágrimas e produzi muito suor.

Após tanto tempo, observei que os trabalhos publicados ficaram dispersos por muitos lugares. Parecia uma pilha enorme de papel que o vento espalhou e ninguém tem ânimo de juntar. Os alunos têm procurado em busca de referências, pistas, caminhos para iniciar sua própria jornada nesta área.

Quase livre dos deveres burocráticos da Universidade, resolvi escrever e contar em linguagem de gente o que estudei e como foi minha trajetória errante por esta área fascinante do conhecimento. Desejo que o conhecimento escrito saia dos pergaminhos e da linguagem hierática e passe a frequentar os corredores de empresas, ONGs e universidades, para isto estou aderindo a este novo veículo, o blog, que tem o poder de espalhar pelo mundo falante de português, sem normas ou revisores, sem cabresto, portanto, as idéias construídas no passar dos anos.